segunda-feira, 29 de agosto de 2011

UFC "Rio" 134 - Silva vs Okami

[ATUALIZADO] Durante o UFC Rio, Dana White interagia com os fãs no microblog e demonstrou sua admiração ao público ao escrever, "Eu faço eventos ao redor do mundo há anos e o Brasil certamente ganhou o prêmio de torcida mais barulhenta de todo o mundo. A primeira luta estava lotada e as pessoas torciam como se fosse a luta da noite".


A empolgação do presidente tinha explicação. Os brasileiros fizeram do HSBC Arena um estádio de futebol. Enlouquecidos, os fãs presentes ao evento empurraram os lutadores do Brasil gritando o nome de cada atleta e apoiando mesmo na derrota, como no caso de Luiz Cané, único brazuca derrotado no card principal.
[NOCAUTES AVASSALADORES NO CARD PRINCIPAL]


Após primeiros minutos de luta amarrado, Anderson Silva mostrou porque é considerado o melhor pound for pound. O japonês Yushin Okami sentiu a força do direto do brasileiro, que fechou o primeiro round com chave de ouro ao desferir seu famoso chute alto que deixou tonto o japonês. Mais à vontade no round seguinte, Anderson Silva mostrou a sua também conhecida confiança, baixou a guarda e mesmo assim levou Okami à lona com a força de seu punch. "Ele é um grande lutador que veio ao Brasil para lutar comigo. O Japão sempre teve grandes nomes e o Okami mostrou seu valor", disse Anderson, elogiando seu adversário.

Questionado se já seria um grande ídolo do esporte brasileiro, Anderson Silva minimizou o fato. "Trabalho duro para alcançar meus objetivos. Eu acredito que estamos no caminho certo, o esporte está crescendo e conquistando novos fãs", afirmou.


A co-luta principal envolvendo Maurício Shogun e Forrest Griffin levou os fãs novamente ao delírio. Bastou acertar o primeiro golpe para derrubar o americano e concluir o nocaute com potentes golpes de direita, que apagaram seu adversário, em menos de dois minutos. Velhos conhecidos, a luta foi a chance que o curitibano tanto esperava desde 2007 e reforçou a sua tradição de nunca ter perdido nenhuma revanche em sua carreira. Ex-detentor do cinturão dos meio-pesados, Shogun retoma sua carreira vitoriosa no UFC. "Chega um certo ponto da carreira que os fãs são a nossa gasolina, eles foram meu combustível hoje", disse.


Lenda viva do MMA, Minotauro voltou ao octógono após 18 meses ausente por contusão. O brasileiro fez um retorno retumbante ao derrotar o jovem em ascensão Brendan Schaub com um nocaute fantástico que fez a arena tremer. Mostrando boa forma, Minotauro não fugiu à luta e fez Schaub recuar desde o início. O americano, que até então só tinha uma derrota na carreira, teve dificuldade em acertar um único golpe no brasileiro. Minotauro desferiu uma série de socos ainda no primeiro round que fez o gigante ir ao chão, atordoado. "Eu fiz cirurgia nos dois lados do quadril, andei de muletas, mas aceitei essa luta por causa de vocês, é minha 40ª luta e a primeira em casa", disse ele à torcida após o eletrizante combate. A torcida retribuiu o carinho ao som de "O campeão voltou!".

Outro destaque no card principal foi Edson Barboza, que ganhou o prêmio de Luta da Noite no confronto com Ross Pearson. O invicto brasileiro foi surpreendido por um forte soco, que o deixou atordoado no fim do primeiro round. Foi o bastante para ele se concentrar no jogo e no round seguinte conseguiu fazer o mesmo com o inglês. O carioca soube se defender da queda e aprimorou a esquiva, mas ainda assim sentiu o peso dos punhos do inglês. O terceiro round começou morno, então Pearson partiu para o tudo ou nada. E não levou a melhor, apesar de vencer o round, o Brasil faturou por decisão dividida dos juízes.

***
[LUTADORES BRASILEIROS EM ASCENSÃO]

Felipe Arantes e Yuri Alcântara tiveram a grande responsabilidade de estrear no UFC e serem os primeiros brasileiros no octógono. Ao som de música sertaneja, que agitou as arquibancadas, Felipe subiu no octógono na segunda luta da noite, seguido por seu compatriota do Pará, Yuri Alcântara. Na luta verde-amarela, Marajó dominou o primeiro round levando o adversário para o solo, com um jiu-jitsu afiado e apostando no ground and pound no primeiro e segundo rounds. Sertanejo reagiu bravamente no terceiro assalto, mas não foi suficiente para evitar a vitória por unanimidade do paraense Yuri Alcântara.

Em outro confronto entre brasileiros, Erick Silva entrou com o pé direito pela primeira vez em um octógono e deu verdadeiro show na terceira luta da noite no card preliminar. Erick levou o também estreante Luis "Beição" Ramos à lona aos 40 segundos do primeiro round.

A luta do brasileiro Paulo Thiago abriu a disputa Brasil contra o resto do mundo. Ao som de "Tropa de Elite", o policial do BOPE arrepiou o ginásio no combate contra David Mitchell pela categoria meio-médio. Após um morno segundo round, David Mitchell não deu ouvidos aos gritos de "pede para sair" e conseguiu acertar alguns golpes, sem grande potência, e chutes baixos. No decisivo terceiro round, o policial-lutador reagiu e nos últimos segundos teve uma performance avassaladora iniciada com uma queda, seguida de estrangulamento e duros golpes de direita, interrompidos apenas pelo sinal do fim da luta. Paulo Thiago venceu por decisão unânime dos juízes e quebrou a sequência negativa de duas derrotas no UFC.

Ao som da batida do funk, o carioca Johnny Eduardo foi outro estreante da noite. Já o recifense Raphael Assunção fez sua estreia em nova categoria, o peso galo. Após primeiro round amarrado tanto no chão quanto em pé, Raphael investiu no wrestling para derrubar o carioca que conseguiu se desvencilhar da estratégia, mas no terceiro round, após algumas quedas e pouca efetividade, Raphael garantiu a vitória por unanimidade dos juízes.

Ainda pelo card preliminar dois faixas pretas de jiu-jitsu se enfrentaram, Rousimar Palhares e o americano Dan Miller. Com um belo chute alto, Toquinho desequilibrou seu adversário no primeiro round e desferiu uma sequência de socos, que por alguns instantes pareciam encerrar a luta. O brasileiro chegou a comemorar, mas logo o árbitro Herb Dean ordenou a continuação da disputa. No round seguinte Toquinho deixou Dan Miller sem reação alguma no chão por todo o tempo. Aparentando cansaço, o carioca preferiu ficar de pé no último round, conquistando a vitória por decisão unânime, com cara de nocaute.

Outros dois brasileiros da noite no card preliminar, Thiago Tavares e Luiz Cane tiveram desfechos distintos. O catarinense mostrou que ainda tem uma grande trajetória na categoria dos pesos leves ao derrotar Spencer Fisher por nocaute técnico no segundo round. Já Luiz Cane teve uma difícil missão contra o búlgaro invicto Stanislav Nedkov. O brasileiro não resistiu à força do adversário que o deixou encurralado, mostrando o peso de sua mão. A derrota veio com um nocaute técnico aos 4:20 do primeiro round.

***
[CARD COMPLETO] [ATUALIZADO]
Anderson Silva nocauteou Yushin Okami aos 2min e 4s do R2;
Mauricio Shogun nocauteou Forrest Griffin aos 1min e 53s do R1;
Rodrigo Minotauro nocauteou Brendan Schaub aos 3min e 9s do R1;
Edson Barboza Junior derrotou Ross Pearson na decisão dividida dos juizes;
Stanislav Nedkov derrotou Luiz Banha Cané por nocaute técnico aos 4min e 20s do R1;

[CARD PRELIMINAR] [ATUALIZADO]
Rousimar Toquinho derrotou Dan Miller na decisão unânime dos juízes;
Thiago Tavares derrotou Spencer Fisher por nocaute técnico aos 2min e 51s do R2;
Paulo Thiago derrotou David Mitchell na decisão unânime dos juízes;
Erick Silva nocauteou Luis Beição aos 40 segundos do R1;
Raphael Assunção derrotou Johnny Eduardo na decisão unânime dos juízes.
Iuri Marajó derrotou Felipe Sertanejo decisão unânime dos juízes;
Yves Jabouin derrotou Ian Loveland na decisão dividida dos juízes.



[Fonte: Maura Peres - Blog Mano a Mano do Eduardo Cruz]

Depilação masculina

[DEPILAÇÃO]


Estava eu assistindo TV numa tarde de Domingo, naquele horário em que não se pode inventar nada o que fazer, pois no outro dia é segunda-feira, quando minha mulher deitou-se do meu lado e ficou brincando com minhas "partes".

Após alguns minutos ela veio com a "brilhante" ideia: Por que não depilamos seus ovinhos, assim eu poderia fazer "outras coisas" com eles.

Aquela frase foi igual um sino na minha cabeça. Por alguns segundos fiquei imaginando o que seriam "outras coisas".

Respondi que não, que doeria coisa e tal, mas ela veio com argumentos sobre as novas técnicas de depilação e eu, imaginando as "outras coisas", não tive mais como negar. Concordei.

Ela me pediu que ficasse pelado enquanto buscaria os equipamentos necessários para tal feito. Fiquei olhando para TV, porém minha mente estava vagando pelas novas sensações que só despertei quando ouvi o beep do microondas.

Ela voltou ao quarto com um pote de cêra, uma espátula e alguns pedaços de plástico. Achei meio estranho aqueles equipamentos, mas ela estava com um ar de "dona da situação" que deixaria qualquer médico urologista sentindo-se como residente. Fiquei tranqüilo e autorizei o restante do processo.

Pediu para que eu ficasse numa posição de quase-frango-assado e liberasse o acesso à zona do agrião. Pegou meus ovinhos como quem pega duas bolinhas de porcelana e começou a passar cêra morna. Achei aquela sensação maravilhosa! O Sr. Pinto já estava todo "pimpão" como quem diz: "sou o próximo da fila"!

Pelo início, fiquei imaginando quais seriam as "outras coisas" que viriam. Após estarem completamente besuntados de cêra, ela embrulhou ambos no plástico com tanto cuidado que eu achei que iria levá-los para viagem. Fiquei imaginando onde ela teria aprendido essa técnica de prazer: na Thailândia, na China ou pela Internet mesmo?

Porém, alguns segundos depois ela esticou o saquinho para um lado e deu um puxão repentino. Todas as novas sensações foram trocadas por um sonoro PUUUUTA QUEEEE ME PARIUUUUUUU quase falado letra por letra. Olhei para o plástico para ver se o couro do meu saco não tinha ficado grudado.

Ela disse que ainda restavam alguns pelinhos, e que precisava passar de novo. Respondi prontamente: Se depender de mim eles vão ficar aí para a eternidade!!

Segurei o Dr. Esquerdo e o Dr. Direito com as duas mãos, como quem segura os últimos ovos da mais bela ave amazônica em extinção, e fui para o banheiro. Sentia o coração bater nos ovos. Abri o chuveiro e foi a primeira vez que eu molhei o saco antes de molhar a cabeça.

Passei alguns minutos só deixando a água gelada escorrer pelo meu corpo.
Saí do banho, mas nesses momentos de dor qualquer homem vira um bebezinho novo: faz merda atrás de merda. Peguei meu gel pós-barba com camomila "que acalma a pele", enchi as mãos e passei nos ovos.

Foi como se estivesse passado molho de pimenta. Sentei no bidê na posição de "lava xereca" e deixei o chuveirinho acalmar os doutores.

Peguei a toalha de rosto e fiquei abanando os ovos como quem abana um boxeador no 10° round. Olhei para meu pinto. Ele, coitado, tão alegrinho minutos atrás, estava tão pequeno que mais parecia irmão gêmeo de meu umbigo.

Nesse momento minha mulher bate à porta do banheiro e pergunta se estava passando bem. Aquela voz antes tão aveludada e sedutora ficou igual uma gralha.

Saí do banheiro e voltei para o quarto. Ela estava argumentado que os pentelhos tinham saído pelas raízes, que demorariam voltar a nascer. "Pela espessura da pele do meu saco, aqui não nasce nem penugem, meus ovos vão ficar que nem os das "codornas", respondi.

Ela pediu para olhar como estavam. Eu falei para olhar a meio metro de distância e sem tocar em nada e se ficar rindo vai entrar na PORRADA!!

Vesti a camiseta e fui dormir (somente de camiseta). Naquele momento sexo para mim, nem para perpetuar a espécie humana.

No outro dia pela manhã fui me arrumar para ir trabalhar. Os ovos estavam mais calmos, porém mais vermelhos que tomates maduros. Foi estranho sentir o vento bater em lugares nunca antes visitados.

Tentei colocar a cueca, mas nada feito. Procurei alguma cueca de veludo e nada. Vesti a calça mais folgada que achei no armário e fui trabalhar sem cueca mesmo.

Entrei na minha seção andando igual um cowboy cagado. Falei bom dia para todos, mas sem olhar nos olhos. E passei o dia inteiro trabalhando em pé com receio de encostar os tomates maduros em qualquer superfície.

Resultado, certas coisas devem ser feitas somente pelas mulheres. Não adianta tentar misturar os universos masculino e feminino. Ainda dói...


[Autor Desconhecido]

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Minotauro & Inter = parceria de suce$$o

Depois de o Corinthians invadir o mundo do MMA (Artes Marciais Mistas, em inglês) ao apresentar Anderson Silva como reforço do clube, o Internacional tomou a mesma medida e decidiu se aventurar neste novo mercado. Na noite desta terça-feira, o clube gaúcho confirmou a contratação por uma luta de Antônio Rodrigo Nogueira, mais conhecido como "Minotauro", para o UFC Rio, que será disputado no próximo sábado, dia 27, na HSBC Arena, no Rio de Janeiro.

"Deram a ideia para nós, e surgiu o interesse de ambas as partes. Ele vai lutar com um calção com a marca do Internacional, além, claro, dos patrocinadores dele. Fechamos um contrato para esta luta, será apenas uma experiência. A partir disso, vamos aprender mais neste segmento que é novo. Veremos qual será o resultado para tomarmos um caminho para um futuro próximo", afirmou o diretor de marketing do Inter, Jorge Avancini, em conversa com o Terra.

O crescimento da popularidade do MMA no Brasil tem atraído clubes de futebol para "dentro do octógono". Além de Anderson Silva com o Corinthians e agora Minotauro com o Inter, o Flamengo também iniciou um relacionamento com o esporte. Declaradamente flamenguista, o campeão do peso pena do UFC, José Aldo, foi homenageado pelo clube da Gávea, em evento que contou com a presença da presidente Patrícia Amorim, geralmente mais ocupada com a equipe vice-líder do Campeonato Brasileiro.

Tal avanço, na opinião do diretor do Inter, tem a ver apenas com o repentino e soberbo crescimento do MMA. "Não é que o Inter avançará em outra modalidade, e, sim, é uma oportunidade. Estamos aproveitando de como o UFC está crescendo no mercado da Ásia e no americano. Queremos expor a marca, de uma forma de apenas migração, não mudança", declarou Avancini, antes de demonstrar certo distanciamento do "novo investimento".

"Acompanho um pouco, mas não sou fã. Aproveitaremos para expor a marca. Além disso, o Minotauro é muito bom, são duas marcas fortes, ele é muito reconhecido no esporte. Acho que montaremos uma associação vencedora", finalizou o dirigente.

Um dos responsáveis por fechar o acordo, Avancini não estará no Rio de Janeiro no próximo sábado, quando será realizado a estreia de Minotauro com os "shorts" do Internacional. De acordo com o diretor, o conselheiro Adauri Silveira representará o clube colorado na HSBC Arena. Minotauro fará a terceira luta do card principal do UFC 134, e terá pela frente, em duelo pela categoria dos pesados, o americano Brendan Schaub.

Lembrando que faltam só três dias para o UFC Rio.



[Fonte: José Edgar de Matos - Blog Mano a Mano do Eduardo Cruz]

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

► Crônicas do David Coimbra - 18

Em homenagem ao aniversário de cinco anos da primeira conquista colorada na Libertadores da América, reveja o texto publicado por David Coimbra em Zero Hora, após a vitória do Inter sobre o São Paulo.


[PARA SEMPRE]

O Inter é campeão da América. Existe algum fato mais importante do que esse? O Inter é campeão da América. Depois de quase um século de existência, o clube dos irmãos Poppe, de Antenor Lemos, de Tesourinha e Carlitos, de Larry e Bodinho, de Valdomiro, Figueroa, Falcão e Flávio Minuano, o time de Fernandão, Rafael Sobis e Fernando Carvalho conquistou a Libertadores da América. Empatou com um multicampeão, o São Paulo, em 2 a 2, ontem à noite, no Beira-Rio, ganhou o título com o resultado combinado do Morumbi, classificou-se para a Libertadores de 2007 e entrou para a história mundial do futebol.

Foi uma típica decisão de Libertadores, tensa, cheia de ocorrências, cheia de emoção. O Inter precisou superar não apenas um forte adversário – precisou superar seus próprios nervos. No começo, só um jogador colorado portou-se com naturalidade: Rafael Sobis. Os demais, até o experiente Tinga, pareciam sentir o peso da expectativa dos 50 mil ansiosos colorados que pulavam, gritavam e cantavam na pedra das arquibancadas. Já o São Paulo, pressionado pela necessidade de vitória, atirou-se ao ataque. Aos dois minutos, Aloísio levantou para Edcarlos, mas Clemer defendeu. Aos seis, Aloísio, mais uma vez, passou para o desanimado Danilo, que chutou colocado e Clemer espalmou a escanteio. Na cobrança, Lugano perdeu de marcar a quatro metros da risca de gol. Aos 17, Clemer falhou num escanteio cobrado da esquerda. Exatamente nesse momento, o árbitro paralisou o jogo por causa da fumaça que saía dos sinalizadores usados pelos torcedores colorados. A interrupção durou cinco minutos.

O São Paulo não arrefeceu no tempo em que ficou parado. Logo depois que a bola voltou a rolar, Aloísio deu uma virada da entrada da área, para fora. O Inter se defendia bem, com Bolívar vigiando Aloísio e Índio saindo um pouco mais. Edinho jamais abandonava o campo de defesa e Ceará funcionava como zagueiro. Na frente, apenas ele, Rafael Sobis, valente, atuando bem aberto, como um ponta-direita, valendo-se da sua velocidade para vencer Lugano e ir à linha de fundo. Numa dessas arrancadas, aos 29 minutos, Sobis foi derrubado por Richarlyson quase na linha lateral, no lado direito. Na cobrança, Jorge Wagner levantou para a área, Rogério Ceni soltou a bola e ela espirrou abandonada pela pequena área, até que Fernandão esticou a perna e a empurrou para o gol: 1 a 0.

O São Paulo, agora sim, se perturbou, e o Inter teve alguns momentos de tranquilidade. Não por muito tempo. Aos cinco minutos do segundo tempo, Souza cobrou falta, Lugano tocou para Fabão, que empatou o jogo. O São Paulo pressionava, o São Paulo era melhor. Muricy colocou Thiago e Lenilson em campo. O Inter estava encolhido. Mas, aos 20 minutos, Ceará levantou para a área, Fernandão cabeceou, Ceni espalmou e Tinga apanhou o rebote: 2 a 1. Foi a comemoração mais breve do campeonato. Tinga festejou mostrando uma camiseta com inscrição religiosa debaixo da camisa do clube, levou o segundo cartão amarelo e foi expulso. Como se fosse uma punição extra, Junior chutou cruzado aos 39, Clemer soltou e Lenilson empatou. Os minutos seguintes foram de horror. Clemer praticava uma defesa atrás da outra. Aos 45, Alex Dias cabeceou na pequena área e o goleiro tirou, acrobaticamente. Houve uma sequência de escanteios a favor do São Paulo. Num deles, aos 47 minutos, Abel Braga, aos prantos na área técnica, olhou para o alto e balbuciou:

- Meu pai do céu!

O jogo terminaria 30 segundos depois. E o Inter dos Joões e das Marias, o Inter dos Pedros, dos Paulos, das Carolinas, das Letícias, dos Kennys, dos Marcelos, dos Washingtons e Maicons e Ricardos e Silvias e Diegos e Adroaldos e tantos, tantos, tantos milhões de torcedores em todo o Brasil, esse Inter, afinal, era campeão da América.



[Blog do David Coimbra - www.clicrbs.com.br/blogdodavid]

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Árvore da Vida - ► Vale conferir / ► Fique de olho em...

O que você espera ao entrar na sala do cinema? Se ainda acredita que um filme pode ir muito além do entretenimento fugaz e proporcionar uma experiência impactante que sobreviva ao tempo de sua projeção - algo cada vez mais raro de se encontrar no circuito comercial -, A Árvore da Vida deve ser incluído no programa do final de semana. Independentemente de gostar ou não, entender ou não entender o que o diretor Terrence Malick buscou nesse ambicioso projeto, que desconcertou até mesmo os mais íntimos de sua cultuada obra.

O estranhamento diante de A Árvore da Vida começou na sua primeira exibição, em maio passado, no Festival de Cannes, de onde saiu consagrado com a Palma de Ouro. O filme é ao mesmo tempo síntese da peculiar visão que Malick tem sobre o cinema como espelho das inquietações existenciais do homem e um passo além. Estão presentes marcas autorais características de seus quatro longas anteriores, desde sua aclamada estreia com Terra de Ninguém (1973), no qual mostrou a jornada de um casal de criminosos como reflexo de um tempo amoral e de culto à imagem: a narração em off, os planos grandiosos que tornam os personagens reverentes à exuberância da natureza, a fotografia buscada nos dourados do nascer e ocaso do sol, o uso intenso da trilha sonora. São ferramentas narrativas que tornam ainda mais vigorosos o que Malick valoriza como poucos no cinema: a imagem e o poder autoexplicativo que ela deve ter sobre o espectador.

O passo além nessa trajetória bissexta, que lhe deu fama de gênio excêntrico e recluso, está na transcendente viagem que Malick empreende para narrar a história de uma família suburbana do Texas dos anos 1950 sob a perspectiva de temas como o sentido da vida e a origem do universo - e estas questões colocadas à luz da ciência e da fé religiosa.

Após uma breve cena em que pai (Brad Pitt) e mãe (Jessica Chastain) são informados de que o caçula dos três filhos morreu, supostamente na Guerra do Vietnã, o filme se alterna em dois tempos. No passado, com os garotos crescendo sob a educação linha dura do pai e a serenidade afetuosa da mãe, e no presente, com o filho mais velho (Sean Penn) amargando esse luto.

Malick radicaliza ao costurar sua narrativa fragmentada e elíptica — na qual contou com o trabalho de cinco montadores, entre eles o brasileiro Daniel Rezende - com imagens literalmente espetaculares que encenam o Big Bang e os primeiros sinais da vida sobre a Terra. A extensa lista de profissionais de efeitos visuais é encabeçada por Douglas Trumbull, parceiro de Stanley Kubrick em 2001 - Uma Odisseia no Espaço, filme com o qual A Árvore da Vida tem paralelos na pretensão filosófica de encenar os mistérios em torno do sentido da vida. Seja qual for sua crença, seja você pai ou filho, tenha ou não tenha um irmão, A Árvore da Vida terá certamente momentos que lhe deixarão arrebatados, se não pela tradução exata de sentimentos únicos e incomensuráveis, por sua beleza.



[Fonte: Marcelo Perrone - Segundo Caderno Zero Hora]

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

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