terça-feira, 29 de julho de 2008

Pretinho Básico OU Cafezinho?

Sou fã de 2 programas nas FM's: o Pretinho Básico (Rádio Atlântida - 94.3 FM) e o Cafezinho (Rádio Pop Rock - 107.1 FM).
Dois programas de entretenimento, onde a graça é justamente não ter regras e falar o que bem entende. Seja política, futebol, comportamento, mulheres, piadas, com a presença de convidados especiais, etc. Um típico papo de bar, onde tudo rola com improvisação e o mais natural possível.

Confesso que até um ano atrás eu era fã ardoroso do Cafezinho da Pop Rock, onde - ainda tinha - a presença de Alexandre Fetter, Maurício Amaral e Cagê. Mas depois que os três saíram e foram pra Atlântida (o Fetter com sua segunda passagem pela rádio), o Pretinho Básico (que foi feito nos moldes do Cafezinho, ou seja, o Fetter puxou de uma rádio pra outra o mesmo formato de programa) é o que mais escuto. O Cafezinho aliás perdeu um pouco do humor com a saída dos três. E os que entraram no lugar deles, não estão à altura. Enfim...

O que interessa e importa é que são duas pérolas da nossa FM e que pra desopilar do dia-a-dia, é um dos melhores remédios. Você corre o sério risco de passar por louco. Rindo sozinho dentro do carro por exemplo, na rua... Programas hilários que recomendo. Com um crédito a mais pro Pretinho Básico. Ouça e confira.


[PRETINHO BÁSICO - Rádio Atlântida - 94.3 FM]

Participantes: Alexandre Fetter, Maurício Amaral, Cagê, Porã, Piangers e Potter.
Horário do Pretinho: de segunda a sábado, com 2 edições: às 13h e às 18h.



[CAFEZINHO - Rádio Pop Rock - 107.1 FM]

Participantes: Mauro Borba, Simone Cabral, Arthur de Faria, Paulo Inchauspe, Eron Dal Molin, Adriano Domingues, Carlos Couto e Ramiro Ruschel.
Horário do Cafezinho: de segunda a sexta-feira, com 2 edições: às 13h e às 18h. Sábado às 13h e Domingo às 18h.

► Provérbio do dia - 6

"Uma mulher nua é uma mulher armada." - Victor Hugo

► Filmes que recomendo - 4 (À Procura da Felicidade)

Chris Gardner (Will Smith - Eu sou a Lenda, Hancock) é um pai de família que enfrenta sérios problemas financeiros. Apesar de todas as tentativas em manter a família unida, Linda (Thandie Newton - Missão Impossível 3), sua esposa, decide partir! Chris agora é pai solteiro e precisa cuidar de Christopher (Jaden Smith - filho do ator na vida real), seu filho de apenas cinco anos

Ele tenta usar sua habilidade como vendedor para conseguir um emprego melhor, consegue uma vaga de estagiário numa importante corretora de ações, mas não recebe salário pelos serviços prestados. Sua esperança é que, ao fim do programa de estágio, ele seja contratado e assim tenha um futuro promissor na empresa. Porém seus problemas financeiros não podem esperar que isto aconteça, o que faz com que sejam despejados.


Essa é a história de À Procura da Felicidade.
Na minha opinião, a melhor atuação de Will Smith. E digo isso baseado em todos os filmes que vi do mesmo. Filmaço! Tu sai carregado depois de vê-lo, mas, filmaço com "F" maiúsculo.


Smith dá um show de interpretação como Gardner. Thandie Newton como sua esposa passa também toda a carga dramática de cansaço e desilusão com a vida que leva junto à família. E até o filho do ator não atrapalha em cena e corrobora para que o filme seja perfeito.

O drama que Gardner passa ao longo do filme de fato aconteceu. Mas o ponto em questão é deixar bem claro quando o filme acaba, que nossos sonhos são possíveis. E sim, podemos realizá-los. A cena final onde Smith vai pra sala de reuniões e... - bom, olhe o filme - é de uma entrega total ao papel. É fantástica. Puta ator! Só por essa cena já valeria uma indicação ao Oscar. E valeu. Ele foi indicado a Melhor Ator.

Enfim, À Procura da Felicidade, com o carisma de Will Smith, e baseado numa história real, valem a conferida. Vão por mim.




["À Procura da Felicidade" ("The Pursuit of Happyness") Drama - 2006 - 117min. De: Gabriele Muccino. Com: Will Smith, Thandie Newton, James Karen, Dan Castellaneta, Kurt Fuller e Brian Howe]

segunda-feira, 28 de julho de 2008

► Vídeos que recomendo - 5 (Daniel Powter - "Bad Day")

Um dos clips mais cool que já vi! Criativo ao extremo! Confere aí:


A música se chama "Bad Day" e quem canta é Daniel Powter.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

► Homens e Mulheres - 5

[A MULHER DA CALCINHA DE ALGODÃO]

Ela anda pela casa com o jeito mais despreocupado do mundo.

Cabelo castanho quase ondulado na manhã de uma lembrança.

Pegando a torrada besuntada de geléia diet com a pontinha dos dedos, acha que está mais gorda do que queria estar, como toda mulher.

É linda em sua imperfeição.

O camisão gigantesco é secular e faz questão de não esconder nenhum furinho feito pelo tempo.

Desbotado, é provavelmente uma das coisas que mais guarda o seu cheiro matinal totalmente viciante.

O beijo morto, dado ainda nos lençóis, vem entre um sussuro ainda ininteligível de que a preguiça era maior que ela e os cabelos desgrenhados pela noite.

Nenhuma mulher acorda parecendo que está num anúncio de margarina, mas qualquer propaganda perderia em naturalidade para seus miados.

Ela tem manias e defeitos como todo ser vivo e adora tascar um beijo mesmo antes de escovar os dentes.

É uma dessas mulheres mágicas em sua simplicidade.

A luz da manhã de um domingo qualquer, lendo seu jornalzinho, pergunta algo que sabe que não sei só para poder fazer graça de mim.

E fica feliz quando me ensina uma palavra nova, cantarola uma música que nunca tocou no rádio, mas que só ela sabe de cor.

Tem calcinhas chiques para ocasiões especiais, cheias de rendas como troféus para quem a despe.

Ela sabe onde comprar aquela cinta liga alucinante que faz qualquer homem babar, e certamente tem, pelos menos, uma guardada da forma mais despreocupada possível na gaveta que você nunca abre.

Reclama da minha barba mal feita que, às vezes, roça em sua nuca ou em suas coxas.

Adora quando falo de seu umbigo ou quando peço para ela parar de me morder porque marca.

Vive falando mal da celulite que imagina estar invadindo seu corpo.

É lasciva o suficiente para conseguir tudo o que quer com uma chantagenzinha emocional barata.

Me chama por um apelido que só ela usa e fala sarcasticamente mal de qualquer coisa que eu escreva só pra depois pular no meu colo dizendo que era brincadeira.

Deixa a gola esgarçada do camisão para me mostrar o ombro e, quando salta pra pegar mais café, me diz cinicamente que é para parar de olhar sua bunda.

A mulher da calcinha de algodão branco.

Como tantas outras calcinhas que contam histórias secando nas torneiras do chuveiro.

As calcinhas comuns, sem ocasiões especiais, sem desculpas por não serem sempre novas e lindas.

A mulher que reclama quando faço algo que ela odeia, a mulher que aperta meu pneuzinho perguntando de quem são aquelas carnes.

Existem poucas cenas mais completas do que assistir ao sono dela em sua calcinha branca de algodão.

Acho que a calcinha me fascina justamente pela sua idéia de cumplicidade. De sempre estar alí.

Pendurada no banheiro, dobradinha em cima da cama esperando sumir numa interminável gaveta ou andando pela casa antes de se esconder dentro de uma calça numa terça-feira.

Essa mulher é a que no elevador me puxa com o olhar mais tarado do mundo e, segundos antes da porta abrir, me pergunta como está o decote.

A mulher da calcinha de algodão anda por aí, todos os dias, desapercebida em sua simplicidade, fingindo uma timidez educada que esconde seu senso de humor debochado e sua vontade eterna em me ver bebendo vinho nas curvas de suas costas enquanto compromissos esperam.

Ela é uma mulher, como tantas outras, incomparável.

Mesmo quando a gravidade inevitavelmente ganha suas batalhas e o tempo a lembra das aulas de ginástica que ela não tem mais 17 anos.

E daí se as pernas forem mais finas do que ela sempre quis que fossem? E daí se seu pé não apareceria em outdoors de sandálias?

Sei que ela sempre vai elogiar as magrelas que trabalham como cabides ambulantes para os grandes nomes da moda.

Sei que ela sempre vai dizer que eu preferiria ver a Gisele Bündchen de biquíni numa revista do que tê-la ao meu lado.

E essa é uma das coisas boas dela. Eu sei de um monte de coisas e ainda não me cansei disso.

A mulher de calcinha de algodão sempre vai ter algo inteligente ou debochado para dizer, sempre vai reclamar que eu deveria dirigir com mais calma e fazer pouco das outras mulheres que foram menos que ela na minha vida.

Esta mulher fica mestruada e reclama disso, sempre fala que fica inchada e se acha um barangão quando está de mau humor.

Esta mulher é fálivel e real.

Além de ser apaixonada por mim deve andar por ai olhando discretamente pra outros homens (sem nunca fazer nada), pode certamente comentar de meus defeitinhos para suas amigas ou ainda sonhar em ir a uma praia sem areia, que se amontoa dentro do seu velho biquini.

Ela vive, toma decisões erradas e ostenta outros milhões de defeitos.

Todos eles apaixonantes, porque vêm de alguém real e não de uma boneca de cera sem personalidade que muito homem queria ter para mostrar para os amigos...

A Macedônia Brasileira

Outro texto do meu amigo Márcio, pra nós, colorados.

 

[A MACEDÔNIA BRASILEIRA]

Porto Alegre, domingo de tarde nublada, alguns raios de sol teimam em aparecer entre as nuvens cinzentas. Já com o pensamento no Japão, tento imaginar como poderá estar o clima e a temperatura durante os combates na terra do Sol nascente.

Com olhos para o céu, deixo a janela entre-aberta para colocar meu rosto ao vento, mas na verdade pareço mesmo estar suplicando por uma ajuda divina, nesses dias que antecedem as batalhas mais importantes de toda a existência do Planeta Vermelho.

Com um simples movimento, apertei o botão de meu televisor e acionei ao vivo o embate do Parque Antártica. O palco era todinho verde mas o sol custava a aparecer na Capital Paulista. A Arena do Palestra Itália estava repleta de seguidores. Naquele instante, confiro a lista de gladiadores que estão compondo o Exército Vermelho e noto entre eles a presença tímida de um
menino. Um garoto conhecido por toda a Nação Vermelha pelo nome de Pato... Pato?

Poderá alguém vingar em uma batalha voraz usando esse apelido como graça divina? Sei não... mas, pensando melhor... talvez o pato da Arca de Nóe de Vinícius de Moraes, antes de ir para a panela, possa ter vingado algum dia... não é? Ou quem sabe o pato de Hans Christian Andersen quando mudou sua forma e sua cor também possa ter alcançado uma vitória marcante... Viu só?

É, e naquela tarde cinzenta o dia parecia ser de Pato. O nosso menino prodígio, com seu semblante infanto-juvenil, em um toque genial, tirou o arqueiro rival da jogada e efetuou seu primeiro tento com as vestimentas até então imaculadas, recém conferidas por seus comandantes.

É, e realmente naquela tarde alguém tinha que pagar o pato... Com dribles desconcertantes, Alexandre Pato entortou os guardiões da meta alvi-verde e fez resplandescer dentro da Arena adversária uma série de tentos que levaram o Exército Vermelho a uma vitória significativa e enaltecedora.

Alexandre, o Pato, não tomou conhecimento de seus marcadores. Os márcios e marcinhos, guerreiros ou não,que tentavam derrubar nosso menino prodígio não obtiveram êxito e o que se via era o sorriso maroto de nosso jovem mancebo, comemorando com seus aliados como se fora um veterano de guerra com ares de um imponente Imperador.

Sentado na beira do sofá, assistia tudo atônito como se fosse eu um marcador do garoto, era difícil de acreditar que aquele pequeno grande menino, com tamanho talento envergasse hábitos alvi-rubros.

Depois de anos suportando pedros-verduns e patinhos-feios, com lágrimas incontidas, coloquei minhas vistas sobre o campo de batalha e vislumbrei que juntamente com as estrelas bordadas sobre nosso manto sagrado, cintilava também uma estrela maior que fazia uma estrela maior irradiar feixes de luz resplandescentes para o interior do castelo rival.

A janela se abriu sozinha, o vento soprava forte, um calafrio tomou conta de meu corpo, olhei para os céus, o sol agora reluzia em uma energia latente. No campo de batalha, os mensageiros com hábitos vermelhos pareciam estar tentando enviar um recado. Com muita dificuldade,
consegui decifrar os manuscritos. O texto em língua estrangeira tinha endereçamento ao arrogante Rei da Catalunha e continha os seguintes dizeres: "Os deuses do olimpo trouxeram a Macedônia ao Celeiro de Ases... O Imperador agora veste túnicas alvi-rubras e responde pelo singelo pseudômino de Pato, "O Grande".


["Contos em Branco e Rubro" - Márcio Mór Giongo]

domingo, 20 de julho de 2008

Lost - 3 (LOST e o Emmy 2008)

E minha série favorita foi indicada a 8 prêmios Emmy (O Oscar da TV). LOST. A principal categoria e mais importante foi de Melhor Série Dramática. Mas vai ser dureza, pois as demais séries são fortíssimas canditadas também: Boston Legal, Damages, Mad Men, Dexter e a favorita House. Se por acaso LOST não levar como série dramática, aposto tudo na categoria de Melhor coadjuvante de série dramática: Michael "Ben" Emerson. Acho que esse ano é o ano dele, visto que no ano passado ele já concorreu e, perdeu por ironia do destino pra outro companheiro de elenco: Terry "Locke" O'Quinn.

LOST ainda ganhou indicações em várias categorias técnicas: as de Melhor fotografia, com John Bartley por The Constant; Melhor trilha de episódio com Michael Giacchino pelo mesmo episódio; Melhor edição de episódio por There's no Place Like Home (Partes 2 e 3); Melhor edição de som por The Shape of Things to Come; Melhor mixagem de som por Meet Kevin Johnson; e a série para celulares Lost: The Missing Pieces ainda concorre a Melhor programa de entretenimento de curta-metragem.


O Emmy acontece dia 13 de setembro nas categorias técnicas e no dia 21 do mesmo mês, daí sim o bixo pega e será pra valer.
Fica a minha torcida desde já.

Top 5 - Filmes Polêmicos

Falando de cinema esses dias com um amigo meu, estávamos debatendo quais seriam os 5 filmes mais polêmicos, mais transgressores, mais "soco no rim" que já vimos. Depois de dar uma pensada cheguei nesse Top 5 aí embaixo. Vê se vocês concordam com as minhas escolhas:

[5º LUGAR] -
O Último Tango em Paris


Liberado no Brasil apenas em 79, por causa de duas cenas famosas: a sodomia com a manteiga e a flagelação do personagem masculino com uma massagem na próstata. Mais chocante que isso é o desnudamento psicológico dos personagens. Brando tem o melhor momento de sua carreira. Aos 48 anos, ele se entrega totalmente ao papel, com incrível força, inclusive com falas autobiográficas. É uma desconcertante, mórbida e fascinante história de amor sobre um casal que se encontra num apartamento vazio de Paris.

[4º LUGAR] - De Olhos Bem Fechados


O médico William Harford (Tom Cruise) e sua esposa, Alice (Nicole Kidman), cansados por nove anos de matrimônio, flertam separadamente numa festa na casa de Victor Ziegler (Sidney Pollack). No dia seguinte, relaxados pela maconha, conversam francamente sobre seus ciúmes ao pé da cama. Sentindo-se provocada pela aparente indiferença do marido, Alice confessa que teve desejos sexuais por outro homem durante as férias da família.

[3º LUGAR] - Laranja Mecânica

A partir de um best-seller de Anthony Burgess, Stanley Kubrick retrata a violência sem objetivo dos jovens combatida pelo autoritarismo sem freios do Estado e faz um painel assustador da sociedade européia e do próprio mundo moderno.

[2º LUGAR] - Closer

Anna (Julia Roberts) é uma fotógrafa bem sucedida, que se divorciou recentemente. Ela conhece e seduz Dan (Jude Law), um aspirante a romancista que ganha a vida escrevendo obituários, mas se casa com Larry (Clive Owen). Dan mantém um caso secreto com Anna mesmo após ela se casar e usa Alice (Natalie Portman), uma stripper, como musa inspiradora para ganhar confiança e tentar conquistar o amor de Anna. 4 personagens que se conectam de uma maneira nua e crua.

[1º LUGAR] - Irreversível

Considerado o grande escândalo do Festival de Cannes de 2002 por suas cenas de violência explícita, o filme narra, de trás para frente, a história de uma vingança. A cena do estupro (dura 10 minutos aproximadamente) de Monica Bellucci é uma das (se não "A") mais perturbadora(s) cena(s) já feita(s) prum filme na minha opinião. Desnecessária diga-se de passagem.


[Fonte: webcine]

sexta-feira, 18 de julho de 2008

The Dark Knight - É HOJE!!!!!

[É HOJE!!!!!]


Hoje estréia em todo o Brasil: The Dark Knight. Ou pra nós aqui: Batman - O Cavaleiro das Trevas.
YEAAHHHHH!!!!!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Viver não dói

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.

Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

[Fonte: Anônimo]

Back to the blogger

Depois de um recesso neste blog de dez dias, retorno pra não mais parar as postagens. Se não forem diárias, de dois em dois dias estarei aqui. Prometo! Err, se tiver alguém lendo e quiser saber disso, é claro. rsrs

segunda-feira, 7 de julho de 2008

► Vídeos que recomendo - 4 (Vega 4 - "You")

Pegando o gancho do comercial que postei aqui do Serenata de Amor, anexo o vídeo da banda que tem a música tocada nele. Eles se chamam Vega4, a música se chama "You" e o sonzinho é manero.


Vale a conferida e o Cultura pop sobre Tudo e Nada recomenda. =)

► Provérbio do dia - 5

"Quem não tem paz interior, não tem nada." - Alfie

► Crônicas do David Coimbra - 3

[DANIELA NO CARNAVAL]
[Fonte: Arte Zero Hora]

Daniela. Linda e reservada. Discreta. Queria namorar com ela. Estou falando em namorar, não em sexo casual, algumas noites de loucuras e prazeres inenarráveis. Compromisso, manja? Andar de mãos dadas pelo shopping. Cinema. Sorvete. Essas coisas.

Mas, claro, ela nunca havia me olhado duas vezes seguidas. Tinha lá um namorado. Dizia que gostava dele. Ele, lógico, era uma besta. Por que as mulheres bonitas e interessantes namoram bestas?
Bem, tudo ia normal, Daniela com sua besta, eu sozinho. Até chegar o Carnaval. Decidi ficar em Porto Alegre - ia trabalhar. À noite, fui assistir aos desfiles das escolas de samba. Fui apenas porque não tinha nada mais empolgante para fazer. Estava lá, meio entediado, pensando que talvez fosse melhor ter ficado em casa vendo Telecine Action, quando Daniela fez sua aparição. Foi isso que aconteceu - foi uma aparição. Ela estava no alto de um carro, era destaque da escola. Usava roupas sumárias, faiscantes, sambava equilibrada em um escarpim sem fim e abria os braços, como se saudasse o povo, os seus súditos. Era uma rainha. Isso que ela era: uma rainha.
Segui-a com os olhos, enfeitiçado. Ali, na arquibancada, decidi que precisava vê-la na dispersão. Não sabia bem o que ia fazer ou dizer, tinha vontade de me atirar aos pés dela, abraçar suas canelas macias e gritar, rouco de paixão:
- Minha rainha! Minha rainha!
Bem, talvez fizesse isso mesmo.

Rumei para a dispersão. Caminhava sofregamente, desviando das pessoas, batendo nelas, quase correndo. Cheguei lá, mas a princípio não a encontrei. Uma confusão de gente se pechando e rindo, as pessoas riem no Carnaval. Olhei, procurei, já estava desistindo, quando senti sua presença às minhas costas.
Virei-me, ansioso. Ela! Imponente. Soberana. Uma rainha. Abri a boca, ia falar algo, mas fiquei indeciso. Ela, ao contrário, deu um passo na minha direção. Ficou tão perto que eu podia sentir-lhe o cheiro doce do hidratante. Nívea, acho.
- Meu namorado viajou para Florianópolis - sussurrou ela, com uma voz tão meiga que me doeu o pâncreas. - Estou furiosa e quero companhia. Quer ser minha companhia hoje?
Não acreditei. Será possível? Será que fui lambido pela língua de fogo do Espírito Santo? Balbuciei:
- Arran - queria dizer algo mais inteligente do que arran, mas não consegui. Mesmo assim, ela entendeu:
- Então vamos.

Tomou-me a mão. Conduziu-me até o carro. No caminho, eu ia pensando: não é possível, vai acontecer algo, não tenho tanta sorte assim. Chegamos ao apartamento dela. Eu desconfiado, sentindo o coração bater no gogó.
Ela enfiou a chave na fechadura. Fiquei olhando a mãozinha girar a chave. Unhas redondas e curtas. Não gosto de mulher com unhas compridas. Uma volta para a esquerda. Duas. Ela sorriu para mim um sorriso de dentes pequenos. Bons dentes. Quem será seu dentista? Escolheu outra chave do chaveiro, uma maior, parecia uma daquelas espigas de milho nanicas, como eles fazem aquelas espigas? A porta se abriu com ruído. Ela sorriu de novo. Estava me viciando no sorriso dela.
Entramos.
- Vou buscar uma champanha - ela disse, armada com outro dos seus sorrisos perigosos.
Ofereci-me para abrir. Tive alguma dificuldade. É preciso ter polegares fortes para abrir champanhes. Consegui, afinal: POC!
Brindamos. Bebemos. Ela ficou bem perto de mim. Eu ofegava. Ela se aproximou mais. Mais.
Corta.
Não vou descrever todas as coisas maravilhosas que aconteceram naquele apartamento. Só revelo que acordei enrodilhado no corpo nu de Daniela e que essa é uma sensação que jamais esquecerei.

O Carnaval terminou e não encontrei Daniela outra vez. Dias depois, estava sentado no Lilliput, bebericando um chope cremoso com os amigos, e aconteceu. Lá vinha ela pela calçada. Estava com o namorado. O tal que tinha ido para Santa Catarina.
Caminhavam de mãos dadas. Mais do que mãos dadas, dedos entrelaçados. Prendi a respiração. Ela me viu. Veio na minha direção, puxando o namorado. Veio. Veio. A dois metros de mim, sorriu um sorriso arrancado do mesmo lote que me hipnotizou no Carnaval.
- Tudo bem? - cumprimentou-me.
- Tudo...

O namorado me olhou, desinteressado. Continuaram caminhando. Desapareceram na esquina da Padre Chagas. Compreendi que havia sido o instrumento da vingança de Daniela. Eu fora escolhido por ela para castigar o namorado.
Talvez devesse ficar feliz. Talvez. Mas, depois de conhecer Daniela, ter provado das delícias de estar com Daniela, como ia viver sem ela? Diga: como?

[Blog do David Coimbra -
www.clicrbs.com.br/blogdodavid]

sexta-feira, 4 de julho de 2008

► Homens e Mulheres - 4

[DEFINIÇÃO PERFEITA]
"Segundo alguns psicanalistas, quando se apaixona,
você não se relaciona com alguém de carne e osso,
mas com uma projeção criada por você mesmo;
E a projeção que fazemos é a de um ser absolutamente perfeito.

Mas depois de um período a projeção acaba,
e você passa a enxergar de verdade a pessoa com quem está se relacionando.

Invariavelmente, algumas virtudes do parceiro ou da parceira
vão embora junto com a projeção, outras ficam...
E se o que ficou de cada um for suficiente para os dois,
a relação perdura, caso contrário...

Ninguém sabe o que faz o botãozinho ligar e iniciar uma nova projeção,
mas fortes indícios apontam para um único suspeito...

O AMOR!

O amor é inexplicável, mas tem umas coisas que você pode entender."




[Fonte: W/Brasil - Cliente: Garoto (Serenata de Amor)]

Comercial do Peugeot 307 - Dúvida?

Curti a música do comercial do Peugeot 307 sedan. Pelo que eu sei, quem canta a música é a Patrícia Coelho numa versão feita exclusivamente pro comercial, mas foi baseada numa música da Carla Bruni chamada "Quelqu'un m'a dit". Alguém sabe se realmente essa música foi disponibilizada somente pra Peugeot ou se tem uma versão estendida? Tiago? Rene? Alguém? Segue a versão pra vocês ouvirem. Vale pela melodia. E pelo carro, claro. rsrs



[Fonte: Guga Ketzer - Cliente: Peugeot]

► Homens e Mulheres - 3

[A ARTE DE GOSTAR DE MULHER]

Ainda nos meus tempos de graduação em jornalismo na UERJ, fui assistir a uma palestra do fotógrafo André Arruda, que foi do JB, Globo e trabalhava, entre outras coisas, com moda. Em determinado momento da palestra ele relatava a sua experiência em fotografar nu artístico e soltou a seguinte frase: "Para fotografar nu feminino é preciso gostar de mulher". Eu sorri, porque na minha cabeça aquilo parecia meio óbvio, mas antes que qualquer um fizesse algum comentário ele completou. "Não se trata de gostar de mulher no sentido sexual, ter tesão por mulher nua, essas coisas. Isso pode ter também. Mas se trata de gostar de mulher em um sentido mais profundo. Gostar do universo feminino. Observar que cada calcinha é única, tem uma rendinha diferente e ficar entretido com isso", afirmou.

O fato é que eu concordo com o conceito do Arruda sobre gostar de mulher. Não basta ser heterossexual, o machão latino. Para gostar de verdade de uma mulher são necessários outros requisitos que são raros.

Por isso a mulherada anda tão insatisfeita. Sensibilidade é fundamental.

Paciência também. O homem que não tem paciência para escutar a necessidade que a mulher tem de falar, ou sensibilidade para cativá-la a cada dia não gosta de mulher. Pode gostar de sexo com mulher. O que é bem diferente. Gostar de mulher é algo além, é penetrar em seu universo, se deliciar com o modo com que ela conta todo o seu dia, minuto por minuto, quando chega do trabalho. Ficar admirando seu corpo, ser um verdadeiro devoto do corpo feminino, as curvas, o cabelo, seios. Mas também cultuar a sagacidade feminina, sua intuição, admirar seu sorriso que é muito mais espontâneo que o nosso.

Gostar de mulher é querer fazer a mulher feliz. Levar flores no trabalho sem nenhum motivo a não ser o de ver seu sorriso. É escutar pacientemente todas as queixas da chefa rabugenta, que rovavelmente é assim porque seu homem não gosta de mulher. O homem que gosta de mulher não está preocupado em quantas mulheres ele comeu durante a vida, mas sim com a qualidade do sexo que teve.

Quantas mulheres ele realizou sexualmente, fazendo-as se sentirem desejadas, amadas, únicas, deusas, na cama e na vida. O homem que gosta de mulher não come mulher. Ele penetra não só no corpo, mas na alma, respirando sentindo, amando cada pedacinho do corpo, e, é claro, da personalidade.

"Para viver um grande amor é necessário ser de sua dama por inteiro", afirmou Vinícius de Morais no poema "Para viver um grande amor". Para amar verdadeiramente uma mulher o homem deve ser totalmente fiel, amá-la até a raíz dos cabelos. Admirá-la, se deixar apaixonar todo dia pelo seu sorriso ao despertar e principalmente conquistá-la, seduzi-la, como se fosse a primeira vez. O homem que não tem paciência, nem tesão, nem competência para lhe seduzir várias e várias vezes, esse, minha amiga, não se iluda, não gosta nem um pouco de mulher.

Conquistar o corpo e a alma de uma mulher é algo tão gratificante que tem que ser tentado várias vezes.

Só que alguns homens, os que não gostam de mulher, querem conquistar várias mulheres. Os que gostam de mulher são os que conquistam várias vezes a mesma mulher. E isso nos gratifica, nos fortalece e nos dá uma nova dimensão. A dimensão da poesia, do amor e em última instância do impenetrável universo feminino. Mas atenção amigos que gostam de mulher: gostar de mulher e penetrar em seu universo não é torná-las cativas e sim libertá-las, admirá-las em sua insuperável liberdade.

Uma das músicas com que mais me identifico é uma em inglês, por incrível que pareça, para um nacionalista e anti-imperialista convicto. É a "Have you really loved a woman?", do cantor Bryan Adams. A música foi tema do filme Don Juan de Marco com o Johnny Depp, e em uma tradução livre quer dizer "Você já amou realmente uma mulher?".
Em toda a música o cantor fala sobre a necessidade de se conhecer os pensamentos femininos, sonhos, dar-lhe apoio, para amar realmente uma mulher.
Essa música é perfeita. Como se vê, gostar de comer mulher é fácil. Agora gostar de mulher é dificílimo. Precisa ser macho de verdade para isso! Quem se habilita?

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Despedida do Endrigo no Outback

Conta com o amigo aqui pro que precisar, dusmeu. Abração, meu véio. E dá o grito assim que voltar à vidinha de catarina e as coisas acalmarem por aí, ok? =) Falow..
[Beto, Endrigo, Bouça, Henrique e eu! O Fabrício e o Rafael já tinham ido embora e o Renato tirou a foto]

[No sentido horário - À esquerda: Rafael, Endrigo, Henrique e Beto! À direita: Bouça, eu, Renato e Fabrício]

► Vídeos que recomendo - 3 (Matt Harding)

MATT HARDING! Esse é o nome do cara. Ele viaja o planeta inteiro (sim, o PLANETA) dançando. Quê? Aham! O cara começou com isso como uma brincadeira e hoje os vídeos dele já foram assistidos por mais de 10 milhões de pessoas e lá vai pedrada no mundo inteiro. O que o Harding criou? Ele vai pros lugares mais inóspitos do planeta - e comuns também, incluindo o Brasil - pára na frente da câmera e faz a tal dança-padrão dele. Seja em montanhas, oceano, praças, vilarejos, monumentos históricos, com pessoas em volta, sozinho, lá tá ele, dançando, dançando e dançando.



Admito. Sou fã do cara. Hoje em dia ele é pago só pra fazer isso da vida. Dança desde 2003 e agora por exemplo ele tá em Seattle/EUA. Mas amanhã ele pode estar na Antártida e depois de amanhã na Noruega. Como que ninguém nunca pensou nisso antes, não é mesmo? Aí em cima tá o primeiro vídeo dele (aos poucos vou postando os demais). Reparem na musiquinha que gruda nos ouvidos e não sai mais.. rsrs
Que inveja BOA do cara... =)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

► Vídeos que recomendo - 2 (The Cure - "Boys Don't Cry")

Aos saudosistas dos Anos 80 que nem eu, e fãs do The Cure, posto o clipe de "Boys Don't Cry". Música clááááássica e que nunca sai de moda.

The Cure é sempre The Cure. Show de bola.

The Dark Knight

[CONTAGEM REGRESSIVA]

Faltam 15 dias para a estréia de The Dark Knight.
[O filme estréia mundialmente em 18 de julho]

See, to them, you're just a freak... like me!

Saiu do fórum do site SuperheroHype uma foto de teste de Batman - O Cavaleiro das Trevas com Heath Ledger a meio caminho de virar Coringa. Veja abaixo o ator ao natural, com a pele falsa sobre o rosto e já caracterizado como o Palhaço do Crime.

[Fonte: Omelete]

Melancia com Photoshop

Abençoado seja o Photoshop, hein Melancia? =)
[Capa da Playboy COM Photoshop]
[Melancia SEM Photoshop]

Photoshop, o "agrotóxico" da fruta moderna!

[Fonte: Kibe Loco -
www.kibeloco.com.br

► Homens e Mulheres - 2

[SERIA O DESTINO?]

- Oi.
- Oi.
- Eu estava te olhando de longe. Você vem sempre aqui?
- Só quando eu estou com vontade de fazer xixi. Quem te deixou entrar no banheiro das mulheres?
- Entrei escondido queria falar com você.
- Não podia esperar eu terminar primeiro?
- É que eu sou muito ansioso. Não é sempre que se encontra a mulher da nossa vida numa festa de formatura.
- Mulher da vida de quem?
- Da minha vida.
- Que espécie de maluco é você?
- O homem da sua vida!
- Como é que é?
- Sou o cara que nasceu pra casar e ter filhos com você.
- Essa é a sua melhor cantada?
- É sério. Vamos conversar.
- Quer fazer o favor de fechar essa porta? Eu ainda não terminei.
- Desculpe. Um homem sabe quando avistou a mulher ideal. Geralmente ela é bonita, sexy, tem gostos refinados e inteligência suficiente para ignorar suas gracinhas. É fina, detesta vulgaridades.
- Me deixa vomitar em paz?
- Achei que você só estivesse apertada.
- O que eu faço no banheiro não é da sua conta.
- Eu me importo com você.
- Socorro, tem um homem aqui dentro.
- Psiuuuuu, não grita, eu só quero saber seu nome.
- Eu tô bêbada demais pra saber meu nome.
- Também estou um pouco tonto, confesso. Viu como a gente combina?
- Sai daqui e fecha essa porta antes que eu te jogue esse balde de lixo na cabeça.
- Algumas pessoas passam a vida toda procurando por um amor perfeito. Alguém que te complete e ajude no que for preciso, faça companhia em todos os momentos.
- Cara, como você é chato.
- Melhorou?
- Não acredito que você me assistiu fazendo aquilo.
- Foi a coisa mais linda que eu já vi.
- Acorda, seu idiota. Eu botei um pão de batata pra fora.
- Eu também adoro pão de batata com tequila.
- Espirrou em você, seu porco.
- Eu não ligo. Seu vômito é o meu vômito.
- O que eu fiz pra merecer um maluco desses atrás de mim?
- Tem coisas que só o destino pode explicar.
- De que planeta você veio? Larga do meu pé, chulé.
- Só você não percebeu que isso tudo não foi por acaso.
- Você me seguiu, eu pedi ajuda, ninguém te tirou do banheiro, eu te dei um banho de bolo de chocolate e cerveja.
- Nosso primeiro encontro...
- Nada disso é um encontro. Sai da minha frente.
- Não posso abandonar a mulher da minha vida.
- Que papo é esse? Deixa-me ver o que colocaram no seu whisky?
- É sério, nunca ouviu falar nisso?
- Whisky com bolinha alucinógena? É claro que sim. Nunca aceite o copo de um estranho.
- Nós somos o casal ideal. Nascemos um pro outro. Sabe quais são as chances disso acontecer numa festa de formatura? Uma em cada 150 milhões.
- Bem menores do que as chances de eu te dar uma porrada.
- Você não faria isso com seu futuro marido.
- Vamos do começo: 1) eu já tenho namorado. 2) você não faz meu tipo. 3) isso não é uma festa de formatura. É a festa de 15 anos da Maria de Fátima. O segredo da relação perfeita está na identificação de sua alma gêmea. Geralmente ela é loira, alta e tem um piercing no nariz. Pode também não ser nada disso. Não importa. O grande lance é perceber se essa alma combina com a sua, tem gostos iguais, beijo bom e, de preferência, um cabelo sem gel.
- Quer apostar que nós nascemos um pro outro?
- Ridículo. Vou ficar com peso na consciência.
- Por que não tenta? Fala uma cor.
- Preto.
- A ausência de todas as cores. A minha preferida também.
- Que bobagem.
- Um filme.
- "101 Dálmatas". - O mesmo que o meu. Quer prova mais definitiva?
- Eu nunca vi esse filme na minha vida.
- Roubar não vale.
- Que papinho mais furado. Se toca, eu não fui com a sua cara.
- Última chance. Fala uma música.
- Ai que saco. Qualquer uma do Daniel.
- Daniel? Tem certeza?
- Absoluta.
- Então você tem razão. Minha mulher ideal não gosta de música sertaneja.
- É mesmo? E que som ela curte?
- Rock, alguma coisa de Jazz... dependendo do dia, MPB.
- O que tem de errado com Zezé diCamargo & Luciano, Latino, KLB?
- Nada, só não é mulher pra mim. De qualquer forma, foi um prazer.
- Todo mundo erra. Quem nunca pensou ter encontrado o grande amor e depois descobriu que ele roncava, tinha caspa e não era muito chegado a banho no inverno? Se fosse fácil não teria graça. O importante é não desanimar, e não foi dessa vez, partir pra outra. Tente declamar seu poema predileto em praça pública e espere alguém completá-lo. Se ninguém se manifestar, saia correndo. Podem ter chamado a polícia.
- Espera.
- O que foi?
- Eu também gosto de MPB. Minha mãe ouve Chico Buarque o dia inteiro. Tecnicamente, se eu estou em casa, também ouço.
- Não sei. Acho que foi um engano.
- Como você pode saber?
- Olhando bem... você é mais alta do que eu imaginava. A mulher da minha vida tem 1.60 de altura. Foi um prazer.
- Espera, eu estou de salto. Olha só... fiquei mais baixa.
- Você não tem nada a ver comigo.
- Tenho sim.
- Que interesse repentino pela minha pessoa. Até um minuto atrás você queria que eu fosse embora.
- Também não sei o que me deu.
- Você tomou do meu whisky, foi isso?
- Não... quer dizer, não lembro.
- Cadê seu namorado?
- Está na minha frente, com uma coisa esquisita na camisa...
- Que nojo... o que mais você comeu, hein?
- Miojo, antes de sair de casa.
- Eu não posso ser seu namorado, você já tem um.
- Eu menti.
- Só pra me dar o fora? Conseguiu. Tchau.
- Volta aqui, meu amor. Pega uma vodka pra mim.
- Sai de perto de mim, sua louca.
- Só saio daqui casada.
- Socorro.
- Achei o homem da minha vida!!


[L. F. Veríssimo]

► Crônicas do David Coimbra - 2

[A TRILHA DO CABELO]

[Fonte: Arte Zero Hora]

Imagine um cabelo bem repartido. Na verdade, o cabelo mais bem repartido da cidade. O cabelo do Clóvis. A trilha que dividia o cabelo do Clóvis abria-se à altura do canto externo do olho esquerdo e seguia, reta e lisa como o caminho da virtude, para desaguar lá atrás, nas barrancas da nuca. Como o Clóvis fazia tal trilha, eis o mistério. Com régua, talvez. O certo é que nenhum vento, nenhuma intempérie, nada desmanchava aquela preciosidade da simetria.

Clóvis era supervisor de clube de futebol. Chegava cedo, batia o ponto e ia para sua mesa. Sentava-se sisudo debaixo da trilha perfeita. Alguém mais observador olharia para a trilha e pensaria: como ele consegue?... Mal sabia, esse alguém, que o Clóvis estava insatisfeito com a repartição do seu cabelo. Todas as noites, ele se olhava no espelhinho do banheiro e conjeturava como ficaria se repartisse o cabelo da direita para a esquerda. Seria uma revolução. Clóvis lembrava-se precisamente do dia em que, pela primeira vez, seu cabelo fora repartido da esquerda para a direita. Obra de sua querida mãezinha havia muitos anos. Clóvis ia estrear no pré-primário. Até então, jamais supusera que um cabelo pudesse ser repartido. Mas, naquele dia, sua mamã o colocou diante do espelho do quarto e, com amor infinito, dividiu-lhe o cabelo macio de menino da forma como ele repetiria todos os dias, todos os meses, todos os anos, pelo resto da vida.

Porque Clóvis não esqueceu jamais aquele gesto materno. Foi um gesto de proteção, preparando-o para a vida lá fora. Para o mundo adulto. Clóvis mirou a trilha impecável no espelho e gostou do resultado. Foi para a escolinha sentindo-se acalentado pela afeição da mãe. Nenhum garoto, por agressivo que fosse; nenhuma menina, por coquete que se apresentasse; nenhuma pergunta capciosa da professora; nada abalaria a confiança de Clóvis, uma vez que tivesse na cabeça a trilha imaculada de sua genitora. Foi assim que Clóvis enfrentou os percalços da existência a partir daquele dia, sabendo que, sobre seu ser, havia um cabelo sem pecha, símbolo de uma cabeça organizada, de uma vida planejada, coordenada eternamente por sua mãe, ainda que ela estivesse ausente.

Por isso, Clóvis prezava a repartição de seu cabelo e jamais a alterou.
Mas um dia surgiu Tríssia.

Foi contratada para trabalhar na secretaria. Jovem, 25 anos. Pequena, mas não baixinha. E o melhor: tratava-se de um legítimo exemplar de falsa magra. Tríssia tinha um corpo bem formado, firme como a defesa do Grêmio. Andava empinadinha pelo escritório. Clóvis a admirava em segredo. E a desejava... Não achava que pudesse ter sucesso com ela. Porém, no final de uma tarde de inverno, restavam apenas eles dois no escritório, e Tríssia comentou, espreguiçando-se feito uma gata no sofá:
- Ah, hoje eu queria beber um chope...
Só de brincadeira, sem nenhuma pretensão, Clóvis disse:
- Vamos?
Ela se empertigou na cadeira:
- Vamos!

Seu coração quase saltou boca afora. Sairia com Tríssia! O mundo era bom.
Menos de meia hora mais tarde, sentado no bar, Clóvis ouvia Tríssia falar. Os olhos dela faiscavam de excitação. Não por estar com ele. Pela vida. Tríssia dizia que queria sair por aí, viajar, conhecer o mundo.
- Quero botar uma mochila nas costas e ir para a Europa!

Toda aquela ânsia de liberdade tocou Clóvis. Emocionou-o. Tríssia, sentada a sua frente, significava a amplitude da vida. Era o sentido da existência. De que importava o futebol? A política? A economia? De que importavam os jornais, a televisão, os bons empregos, os carros velozes e o dinheiro dos nababos? Tríssia estava ali, dizendo-lhe o que realmente importava - a liberdade!

Ao deixá-la no edifício onde morava, Clóvis sentia o peito oprimir-se de tanta liberdade. A liberdade de Tríssia. Que o envolvia, derramava-se por sua corrente sangüínea e alterava-lhe a substância da alma. Antes de sair do carro, ela... ela beijou-o na boca. Foi um beijo ao mesmo tempo voraz e manso, que, ao mesmo tempo, o excitou e o comoveu. Tríssia se foi, e Clóvis voltou para casa angustiado. Ele também queria ser livre. Ele também queria viver.

Foi assim que decidiu mudar a repartição do cabelo. Naquela noite, Clóvis experimentou penteá-lo para o outro lado. Acostumado com uma vida deitado para a direita, o cabelo se rebelou. Recusava a posição nova. Clóvis teve de domá-lo a golpes de creme rinse. Mas, ao ver a trilha no lado direito, arrepiou-se de horror e enfiou-se na cama. No dia seguinte, foi trabalhar com o velho cabelo de mamã. Passaram-se semanas, até Clóvis tomar uma atitude. Acordou cedo e penteou o cabelo para a esquerda com decisão. Entrou no clube com o peito estourando de ansiedade. O que os outros diriam? Mas, para sua profunda decepção, ninguém notou. Clóvis sentou-se atrás da sua mesa sem que um único colega fizesse uma só observação. Conversavam com ele, tomavam café com ele, falavam de tudo, menos do seu cabelo. Nem sequer olhavam para o seu cabelo. E ela, Tríssia... ela mal o encarou.

Clóvis estava decepcionado. Mais: estava magoado. Com todos os que se diziam seus amigos, mas sobretudo com ela. Ela não sabia nada dele. Ninguém sabia nada dele. Naquele dia, Clóvis compreendeu como um homem pode ser solitário. No final da tarde, já pensava em pedir demissão, em ir embora dali, em nunca mais ver nenhum deles, quando ela, Tríssia, parou de pé ao seu lado. Clóvis levantou a cabeça com o cabelo repartido da direita para a esquerda e foi neste cabelo, nesta peça harmônica e flamante de engenharia capilar, que Tríssia pousou sua pequena mão e o afagou suavemente e amassou um tufo e ciciou, enfim:
- Eu gostei.
Depois ela sorriu. E Clóvis sorriu. E viu que, sim, o mundo pode ser bom.


[Blog do David Coimbra - www.clicrbs.com.br/blogdodavid]

► Provérbio do dia - 4

"Conquistar uma mulher fútil? Barbada! Mas uma relação destas é superficial, falta conteúdo! Alguns amassos e página virada, situação efêmera no máximo gera um capítulo, sem desdobramentos e nem perspectiva de novos personagens!
Uma historinha banal, quando acaba muitos casos são esquecidos, não merecendo registro! As verdadeiras histórias são complicadas, difíceis, vários obstáculos, empecilhos e adversidades! Cada linha para ser escrita são diversas tentativas, folhas de rascunhos e foras! Quando enfim se consegue a sintonia, o livro começa a ganhar forma, as letras se atraem, viram palavras e essas em sincronia contam os fatos." - Daniel Boucinha
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