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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

► Assino embaixo - 5

Pois é. E este é o primeiro post de 2009. Espero que o primeiro de muitos, claro.

O Natal passou voando, 2008 já é história e lá vamos nós prum ano ímpar novamente. E como os presentes que ganhei no Natal foram shows de bola, acho que seria legal dividir com vocês, até porque, são ótimas dicas de presentes também. Fica a dica.


DVD 'THE DARK KNIGHT':

O filme do ano... com o ator do ano (Heath Ledger)... com o diretor do ano (Christopher Nolan)... com a já quarta maior bilheteria da história do cinema... indicado a vários Globos de Ouro... provavelmente será indicado a vários Oscar também... e o principal: com uma atuação memorável e desde já antológica de Ledger como o Coringa. Não preciso nem dizer então que é um DVD obrigatório para todo fã de cinema e do Batman, é claro.
► O DVD Duplo sai por R$ 49,90 na maioria das lojas (Cultura, Saraiva) e pode ser encontrado também em lojas virtuais como Americanas.com e Submarino.com

LIVRO 'CRIS - A FERA' (DAVID COIMBRA):

Se você é daqueles que acredita que mulher é o sexo frágil, não leia este livro. Aqui você verá exatamente o contrário: mulheres famintas de sexo, poder, vingança ou qualquer coisa que possa destruir a vida de um incauto. Você agüentaria ver Cris só de salto alto, no meio do quarto, exibindo um sorriso diabólico e aquele corpo escultural? Hein? Aguentaria a ninfeta Suzi, com sua caneta de pompom e aquele olhar pecaminoso? Claro que ninguém agüentaria Mas o final nunca foi aquele que eles imaginam. Uma noite de loucuras poderia custar muito caro. Às vezes, até mesmo a própria vida.
► O livro sai por R$ 14,00 em lojas como Cultura, Saraiva, Roma, etc!

BOX 'OS TRAPALHÕES':

"Ô da poltrona!" Era este tipo de DVD que tava faltando na minha coleção. E eu como fã fervoroso do extinto programa Os Trapalhões, não podia deixar de ter na minha estante. Graças a Deus que FINALMENTE passaram o programa que passava aos domingos na TV Globo às 19hs antes do Fantástico para um box com mais de 10 horas de duração, entre esquetes, musicais, erros de gravação e depoimentos de Renato Aragão. O único ponto a lamentar é a ausência de Dedé Santana comentando junto com o o eterno Didi. Fora isso, é um ítem obrigatório para quem curtia o tipo de humor do quarteto. E sem contar é claro que rever Mussum e Zacarias é sempre bom.
► O box sai por R$ 49,90 na maioria das lojas (Cultura, Saraiva) e pode ser encontrado também em lojas virtuais como Americanas.com e Submarino.com

LIVRO 'MULHERES' (DAVID COIMBRA):

Neste livro, David Coimbra debruça-se sobre mulheres de todas as idades, formatos, profissões e mentes com a mesma curiosidade de um paleontólogo ao analisar fósseis e esqueletos, e observa seu objeto de estudo (e desejo) com tanta compaixão quanto curiosidade, com tanto humor quanto fascinação. Este livro é um banquete para quem gosta de humor e boa literatura. E mostra por que David Coimbra é um dos mais populares e talentosos escritores surgido no Brasil nestes princípios do século XXI.
► O livro sai por R% 14,00 em lojas como Cultura, Saraiva, Roma, etc!

Agora é com vocês conferirem e ver se as minhas dicas procedem. =)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Dissecando o mundo dos Zumbis

Desde pequeno sempre fui um nerd convicto de filmes de terror. Admito, sou fã de Jason e Krueger. Tanto que tenho quase todos os DVD's de Sexta-feira 13 e tô esperando lançarem todos A Hora do Pesadelo para poder completar minha coleção. Mas um tipo de filme de terror específico me fascina mais: MORTOS-VIVOS.

E por esse meu fascínio pelos "devoradores de miolos", é que posto abaixo o que tem de melhor e pior em se tratando de filmes de zumbis, sinopses, o que achei dos filmes, uma cotação e é claro, uma pequena biografia do mais cultuado diretor de filmes do gênero: GEORGE ROMERO. Vamos ao que interessa portanto...

[SINOPSE] Shaun (Simon Pegg - Missão: Impossível 3, Hot Fuzz) é um homem fracassado que não consegue visitar sua mãe, tem problemas de relacionamento com seu padrasto Philip (Bill Nighy - Piratas do Caribe 2 e 3, Simplesmente Amor), mora numa casa dividindo o espaço com os companheiros Ed (Nick Frost), um gorducho inútil e desempregado, e o severo Pete, não é respeitado pelos colegas de trabalho numa loja de eletrodomésticos, freqüenta apenas um único bar como diversão, e não consegue também agradar ou surpreender com criatividade a bela namorada Liz (Kate Ashfield), que está cansada da rotina do namoro, dispensando-o e preferindo a companhia de um casal de amigos, David e Dianne.

Ele chega à conclusão que precisa "dar um jeito na vida", ter atitudes e sair do marasmo. Ele só não imaginaria que seria obrigado a assumir o papel de herói meio atrapalhado e teria que fazer tudo isso repentinamente, depois que um vírus contamina as pessoas transformando-as em mortos-vivos vagando desorientados pelas ruas de Londres, famintos por carne humana. Shaun acaba assumindo a liderança de um grupo que tenta sobreviver em meio ao caos instaurado pelos zumbis. Eles se refugiam num pub, onde ficam encurralados e são atacados, obrigando Shaun a lutar por sua vida e a dos amigos, além também de tentar recuperar o amor da namorada.

[O QUE ACHEI] Pra começar, tem o excelente Simon Pegg como ator principal. Em segundo, o gorducho e engraçadíssimo Nick Frost como seu melhor amigo, e são os dois que têm as melhores tiradas do filme. A cena que eles começam a atirar discos de vinil numa guria morta-viva, selecionando os discos antes de atirá-los é hilária. Assim como a cena de Pegg indo no mercadinho comprar coisas e não notando que a cidade já estava tomada por zumbis e quando o grupo dele, se vê tendo que passar no meio de vários zumbis, e eles começam a "ensaiar" como seriam se fossem mortos-vivos, para poderem se infiltrar no meio deles. É de chorar de rir. Contar mais do que isso é entregar/estragar o filme para quem ainda não viu.

[COTAÇÃO] De 0 à 10, dou nota 8,5

[SINOPSE] Após mais um dia cansativo de trabalho, tudo que Ana quer é tomar um banho ao lado do marido e dormir. Mas, nas primeiras horas da manhã, ela é violentamente atacada por uma legião de mortos-vivos, e se descobre num pesadelo real: o mundo inteiro está tomado por zumbis. Em fuga desesperada, Ana se une a um pequeno grupo de sobreviventes que se refugia num Shopping Center enquanto o mundo lá fora se transforma literalmente no inferno.

Considerado melhor e mais vibrante que o clássico original, Madrugada dos Mortos é uma refilmagem de Zombie - Despertar dos Mortos, de 1978. Este remake atualiza e acrescenta ainda mais ação à emocionante trama.

[O QUE ACHEI] Um filmaço sobre zumbis. Simples assim. Zack Snyder (300) nos entrega um filme digno de George Romero: elenco bem afiado, efeitos especiais e maquiagem no seu auge e uma história instigante e arrepiante. Dos últimos filmes sobre mortos-vivos já feitos, Madrugada dos Mortos é sem dúvida o melhor exemplo de como se fazer um filmaço do gênero.

[COTAÇÃO] De 0 à 10, dou nota 9,0

[SINOPSE] Dois empregados de um armazém de medicamentos encontram no subsolo do estabelecimento barris do exército, lacrados e acidentalmente liberam um gás mortal no ar. Esse gás acaba reanimando os mortos de um cemitério próximo, que vão querer apenas uma coisa dos vivos: seus miolos.

[O QUE ACHEI] Putzz, esse filme marcou minha infância. Me lembro de assisti-lo na casa dos meus amigos e morrer de medo cada vez que um cadáver pelado saia berrando pelo local de trabalho dos dois empregados do tal armazém de medicamentos. Sem contar as cenas da punk nua sendo "comida" (sem malícias) pelos mortos-vivos e a clássica frase dita no final do filme pelo jovem Frank ("Tiiiiiiinááááááá...") para a sua namorada Tina. Olhando hoje em dia, o filme é meio patético, mas pra época meteu medo. Guardo com boas lembranças este primeiro filme de um total de quatro.

[COTAÇÃO] De 0 à 10, dou nota 7,5

[SINOPSE] Alguns garotos abrem um barril velho sem saber que ali há um perigoso gás tóxico, que faz com que os mortos voltem à vida em forma de zumbis que comem cérebros humanos. Enquanto uma legião de mortos-vivos ataca a cidade, os garotos tentam se livrar dos zumbis do jeito que podem.

[O QUE ACHEI] Uma continuação capenga do primeiro A Volta.... Se o anterior já era meio patético, esse beira à uma comédia de humor (?)-negro sem muito sentido. Situações bizarras e engraçadas se cruzam neste filme, onde o teor do filme fica mais leve e não segura o pique do primeiro. Uma pena. Mas mesmo assim vale a pena ter na coleção de DVD's.

[COTAÇÃO] De 0 à 10, dou nota 6,0

[SINOPSE] Curt e sua namorada Julie descobrem que a base militar da região está fazendo uma experiência secreta com o gás Trioxin, o mesmo que trouxe os mortos à vida nos filmes anteriores. Quem coordena a pesquisa é o pai de Curt, e a intenção é usar o gás como arma de guerra para que os zumbis devorem os inimigos. Quando Julie morre num acidente, Curt a leva para a base militar para ressuscitá-la com o gás, e ela se torna uma zumbi devoradora de carne humana. Ainda assim, Curt quer mantê-la viva e precisa fugir do exército, que quer matar a garota, e de uma gangue de motoqueiros com a qual se encrencou.

[O QUE ACHEI] O fundo do poço. A história da namorada que morre num acidente e o namorado tenta reanimá-la com o tal gás é simplória demais. Já vimos isso em Re-Animator (lembram?). O filme é lento, chato e não acrescenta em nada à temática dos mortos-vivos. Uma mulher zumbi com o corpo todo cheio de lâminas não é de meter medo, convenhamos. Pra quem é nerd como eu, compre o DVD e deixe-o lá no meio dos outros. Mas só por ter mesmo, porque pra assistir... melhor rever um clássico do gênero que citarei mais lá embaixo desse post.

[COTAÇÃO] De 0 à 10, dou nota 4,0

[SINOPSE] Julian, Zeke e sua turma são alunos típicos do último ano do 2º Grau gozando de suas vidas como adolescentes comuns. Até que Zeke sofre um acidente de motocicleta e vai parar num hospital, de onde desaparece misteriosamente. Quando seus amigos iniciam uma busca, todas as pistas apontam para a mega empresa Hybratech. Numa tentativa de resgate, eles mal percebem que a Hybratech está conduzindo experiências em seres humanos com um composto químico, modificado chamado "Trioxyn-5". Este produto químico está ressuscitando os mortos. E agora, Zeke é a nova cobaia da empresa. Tudo indica que esta missão de socorro arriscada terá conseqüências mortais.

[O QUE ACHEI] A melhor definição para este quarto filme? Lamentável como o terceiro. Sério. Passe batido. Sabe quando se perde a mão na direção e qualquer coisa que leve o nome/status "filmes de mortos-vivos" já é um bom motivo pra fazer qualquer merda sobre? Pois então. É o caso aqui. Recomendo rever a primeira parte duas vezes ao invés de assistir este filme. E vamos adiante...

[COTAÇÃO] De 0 à 10, dou nota 3,0

E aqui dou início aos filmes do gênio, George Romero:



[SINOPSE] Um meteorito radioativo traz os mortos de volta à vida. Um grupo de sete jovens se vêem isolados numa fazenda abandonada cercados por zumbis aparentemente indestrutíveis e com um insaciável apetite por carne humana. Eles acabam vivendo uma noite de terror. A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero, transformou-se em um dos filmes de terror mais aclamados do cinema.

[O QUE ACHEI] Agora a coisa fica boa. E sabe porque?. Porque estamos falando do gênio George Romero e seu primeiro filme/cult sobre zumbis: A noite dos Mortos-Vivos. Yeahh. A história é sufocante ao extremo, o elenco muito bom, e só de imaginar que poderíamos ser nós a estar na tal fazenda abandonada cercado por todos os lados por zumbis é clautrofóbico demais. O melhor filme de mortos-vivos é este. Portanto se você não é familiarizado com filmes do gênero, este é o primeiro a ser visto.

[COTAÇÃO] De 0 à 10, dou nota 9,5

[SINOPSE] Na história de Despertar dos Mortos, o mundo já está tomado pelos mortos vivos e existem apenas sobreviventes isolados em grupos tentando lutar por suas vidas. Um desses grupos é formado pelo casal Francine (uma repórter de TV) e Steven (um piloto de helicóptero), e por mais dois policiais de elite que tentavam combater uma legião de zumbis que invadiram um condomínio residencial, Roger e Peter. Eles fogem juntos num helicóptero roubado procurando um local seguro para ficarem, e decidem aterrissar no alto de um Shopping Center abandonado onde se instalam permanecendo isolados dos zumbis, e desfrutando dos confortos disponibilizados pelas belas lojas.

Porém, eles despertam inevitavelmente a atenção de um enorme exército de mortos-vivos, cujas lembranças em vida dos constantes passeios de compras ao Shopping os levaram instintivamente a tentarem invadir o enorme centro comercial, vagando desorientados por seus corredores à procura de carne humana fresca (numa crítica social pertinente do cineasta George Romero). E os problemas do grupo de sobreviventes complicam-se mais ainda quando entram em confronto com uma gangue de motoqueiros arruaceiros, liderados por Blades (Tom Savini), que decide também invadir o shopping para saquear suas mercadorias.

[O QUE ACHEI] Os mais novos lembrarão da história por terem visto Madrugada dos Mortos, refilmagem deste filme feita por Zack Snyder. Os mais antigos e os da minha idade lembrarão da história de zumbis cercando um Shopping onde se encontram dentro deles alguns sobreviventes, pelas mãos de George Romero. Não é tão bom quanto A Noite dos Mortos-Vivos, mas mesmo assim mantém o clima clautrofóbico e tenso. Vale a conferida.

[COTAÇÃO] De 0 à 10, dou nota 8,0



[SINOPSE] Os mortos-vivos dominaram a Terra, e apenas um pequeno número de humanos conseguiu resistir. Estes sobreviventes, entre eles soldados e cientistas, se refugiaram em um abrigo militar subterrâneo, mas a situação está cada vez mais crítica: o estoque de alimentos está baixando, e a munição e os medicamentos estão cada vez mais escassos. A sobrevivência dos humanos só poderá ser garantida se este grupo chegar até um local inacessível, descobrir como combater os mortos-vivos e enviá-los de volta para suas sepulturas. Uma das últimas esperanças pode estar nas pesquisas realizadas pelo excêntrico Doutor Logan, mas a tensão e o desespero entre os humanos crescem cada vez mais, e eles se entregam a uma terrível batalha pela vida. O resultado é o mais negro dos dias de horror que o mundo já conheceu.

[O QUE ACHEI] Filme tenso, mas pior que os dois anteriores de Romero. A situação de colocar militares e cientistas ao invés de simples pessoas, perde um pouco da graça em filmes assim, mas não incomoda tanto. O clima de tensão continua alto, Romero continua acertando a mão em cheio nas suas críticas à nossa sociedade.

[COTAÇÃO] De 0 à 10, dou nota 7,5

[SINOPSE] Os zumbis dominaram o mundo e as pessoas que conseguiram sobreviver estão confinadas em uma cidade cercada por muros. Enquanto nas ruas o caos domina, os ricos vivem isolados em prédios super-protegidos. Neste cenário, um grupo de catadores de lixo deve impedir uma tentativa de ataque dos mortos à cidade, pois as criaturas estão evoluindo para formas mais avançadas de comedores de carne humana. Com Simon Baker, John Leguizamo e Dennis Hopper nos papéis principais.

[O QUE ACHEI] Em 2005 Romero retomou os filmes de zumbis e nos deu este Terra dos Mortos. Um filme bem feito, correto, mas meio feijão-com-arroz. Poderia ser melhor, até porque, estávamos em 2005 e suas críticas poderiam ser mais incisivas, além da história ser melhor trabalhada (teve anos pra desenvolver um bom roteiro e aproveitar melhor o elenco)! Mas enfim, não compromete e é bom.

[COTAÇÃO] De 0 à 10, dou nota 7,5

[SINOPSE] Jovens estudantes de cinema decidem fazer um filme de terror e acabam tornando-se os próprios personagens quando são mortalmente atacados por zumbis.
Voltando atrás nos acontecimentos de A Noite dos Mortos-Vivos de 1968, George Romero reinventa a forma como os zumbis se ergueram da primeira vez, como testemunhado por um grupo de estudantes de cinema. O filme segue este grupo através dos olhos da câmera que um jovem participante do grupo utiliza, à medida que cada um deles tenta viajar para suas casas de forma a visitar as suas famílias.

[O QUE ACHEI] Não vi por ainda não ter sido lançado aqui no Brasil. Provavelmente saia direto em DVD, e daí quando for lançado, atualizo-o aqui.

[COTAÇÃO] Sem nota (ainda)



Mesmo nunca concorrendo a um Oscar, não tendo o nome na calçada da fama e seus filmes nunca terem faturado zilhões nas bilheterias, George Romero, o "Pai dos Zumbis", é adorado por uma legião de fãs. O cinema de horror nunca mais foi o mesmo após o lançamento, em 1968, de A Noite dos Mortos-Vivos. A violência explícita, que antes era apenas sugerida, foi mostrada de forma crua, sem embustes ou pudor. Porém um impacto maior ainda viria com Despertar dos Mortos, de 1979. As vísceras e as mutilações agoram eram vistas em cores (em A Noite..., a violência era contida pela película em preto-e-branco). Em 1985, Romero realizou o que seria seu gran-finale: O Dia dos Mortos. A censura norte-americana, como de praxe, mutilou o filme, devido a exageros de violência e escatologia, o que somado ao orçamento limitado, acabou impedindo que O Dia dos Mortos correspondesse as verdadeiras expectativas dos fãs.

Nova-iorquino nascido em 1940, George Romero Romero cresceu no Bronx. Como a maioria das diretores de sua época, Romero teve suas primeiras experiências cinematográficas à partir de uma câmera Super-8, que ganhou de um tio. Quando atingiu a maioridade mudou-se para Pittsburgh onde iniciou projetos mais ambiciosos. Em 1967, Romero fundou junto com 9 parceiros a Image Ten, uma produtora de comerciais e filmes publicitários. Foi no ano seguinte que Romero estreou no cinema com A Noite dos Mortos-Vivos realizado pela sua recém formada produtora.

Em 1982 George Romero juntou-se a Stephen King para a realização de Creepshow, um filme dividido em episódios inspirados nos quadrinhos de horror da E. C. Comics. Em 1987 Romero assinou uma parceria com a Orion Pictures. Durante a existência do estúdio, Romero dirigiu 3 longas! Dirigiu em 1988 Comando Assassino. No ano seguinte realizou Dois Olhos Satânicos, em parceria com outro mestre, este italiano, Dario Argento. Cada um deles dirigiu um média-metragem inspirado em contos de H.P. Lovecraft. Em 1991 adaptou a obra de Stephen King A Metade Negra.

Romero ficou afastado das telas por quase sete anos, retornando em 2000, com o longa Brusier, um roteiro de sua própria autoria. Aas filmagens foram conturbadas, os produtores ficaram insatisfeitos com o roteiro final e Romero foi demitido antes do término da edição. Bruiser foi exibido no Festival de Cannes e teve boa recepção do público.

O nome George Romero voltou a mídia em 2004 com o remake Madrugada dos Mortos. O filme de Zack Snyder (300) fez bonito nas bilheterias e novamente as portas se abriram para Romero, que presenteou sua legião de fãs com Terra dos Mortos, dando sequência a sua série sobre zumbis. O longa foi muito bem aceito, tanto pelos fãs quanto pela crítica.

Atualmente Romero está em pré-produção do seu sexto filme de zumbis: Diário dos Mortos 2.

"Zumbis, para mim, sempre representaram mudança, um tipo de força exterior!" - George Romero

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

► Assino embaixo - 3

Como um fãzaço de Arquivo X (os episódios mais antigos, as primeiras temporadas, pois depois a coisa desandou), cito abaixo cinco episódios que a revista SET listou como ótimos e que pra mim também são alguns dos melhores da série. E quanto ao segundo filme no cinema, não, não vi. Que saco. Mas em DVD verei certo. Aliás, já tô guardando uma grana pra comprar as primeiras temporadas. Vale a pena.

Outra coisa: LOST, que é outra série que eu adoro, é livremente inspirada em vários episódios de Arquivo X. O próprio J. J. Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse já admitiram isso. Mais um motivo portanto pra ser fã dessa antiga (tá, nem tão antiga assim) série que marcou a década de 90. Leia abaixo e vê se você concorda comigo quanto a estes cinco episódios:

[TERROR NO GELO (ICE, 1993/7º EPISÓDIO DA 1ª TEMPORADA)]

Claramente inspirado em O Enigma do Outro Mundo, o par de federais investiga um duplo suicídio em uma estação de pesquisa no Ártico. O culpado é um microorganismo que infecta os cientistas e amplia a paranóia e a ravia dos hospedeiros, tranformando-os em assassinos. A suspeita atinge até mesmo Mulder e Scully, que chegam a apontar armas um para o outro.


[O LAR (HOME, 1995/4º EPISÓDIO DA 3ª TEMPORADA)]

O mais perturbador episódio da série, exatamente pelos monstros não serem ETs, mas algo que poderia existir na vida real. Após descobrir um bebê defeituoso enterrado vivo em uma pequena comunidade, Mulder e Scully acham a causa do problema: uma família que, por causa da procriação consangüínea, gerou filhos deformados e psicopatas. Eles mantinham a própria mãe sem pernas presa debaixo da cama em um carrinho. Para estômagos fortes.


[OS JAPONESES/O FALSO ALIENÍGENA (NISEI/731, 1995/9º E 10º EPISÓDIOS DA 3ª TEMPORADA)]

Episódio duplo com momentos eletrizantes que forma um longa-metragem digno de cinema. Começa com um grupo de cientistas japoneses realizando autópsia em um alienígena até ser interrompido por homens armados, e termina com Mulder preso em um vagão com uma bomba e um híbrido humano/ET. A trama da abdução de Scully e de seu implante chega a revelações surpreendentes.


[A GUERRA DAS BARATAS (WAR OF THE COPROPHAGES, 1996/12º EPISÓDIO DA 3ª TEMPORADA)]

Aproveitando uma folga para investigar uma cidade onde ovnis teriam sido vistos, Mulder esbarra em um ataque de uma legião de baratas. A resposta, é claro, envolve um experimento secreto do Ministério da Agricultura com baratas robóticas. O ciuminho de Scully, por conta de Mulder trabalhar com uma cientista sexy vale o episódio.


[DO ESPAÇO SIDERAL (JOSE CHUNG'S FROM OUTER SPACE, 1996/20º EPISÓDIO DA 3ª TEMPORADA)]

Um dos poucos capítulos cômicos da série, inspirado na estrutura de várias versões de uma mesma história de Rashomon, de Kurosawa. Casal de adolescentes jura ter sido abduzido por alienígenas, mas seu depoimento e o de várias testemunhas tornam-se cada vez mais contraditórios e absurdos. O Jose Chung do título original é um escritor de ficção científica que entrevista Scully sobre o caso. Grande momento: a paródia a autópsias de ETs.


[Fonte: Revista SET]

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

► Assino embaixo - 2

Quem me conhece, sabe: sou fã incondicional do "Universo Batman". Tenho uma coleção de gibis pra quem não sabe de mais de 500. Mônica, Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Magali, Pato Donald, Tio Patinhas, Zé Carioca, Peninha, Pateta, Almanaque Disney, Superman, Homem-Aranha, Hulk, X-Men, Wolverine, etc. E dentre esses gibis, tenho vários do Batman, claro. E dentre os do Batman que tenho, saliento três pra quem quiser se interar sobre o Homem-Morcego, e que são considerados verdadeiras "Bíblias" nesse meio de quadrinhos de super-heróis.

[Batman - O Cavaleiro das Trevas]
[Batman - A Piada Mortal]
[Batman - Ano Um]

Três revistas que pela importância que possuem no "Universo Batman", foram usadas como roteiros dos dois filmes mais recentes do Morcegão: Batman Begins e The Dark Knight.

Pois bem, abaixo segue um apanhado geral/resumo das três revistas, analisadas por dois colaboradores do Omelete, e o que você encontrará lendo-as. Quem conhece, sabe do que eu tô falando. Quem não conhece, procure logo as três e devore-as. Afinal, não é sempre que vemos uma história do Batman reeinventada pelo gênio Frank Miller.


[BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS]

Há dois pontos que considero fundamentais na mini-série Batman: o cavaleiro das trevas de Frank Miller - que está completando quinze anos de seu lançamento no Brasil. O primeiro diz respeito ao próprio Homem-Morcego e o segundo a outra peça-chave da trama, o Super-Homem. Para muitos, Frank Miller foi o primeiro a apresentar um Batman angustiado e amargurado por crises existenciais, ao passo que retratou o Homem de Aço como um covarde puxa-saco dos poderosos. Esta aí algo de que eu não poderia discordar mais.

Dizer que Frank Miller foi o primeiro a introduzir, no mito do herói criado por Bill Finger e Bob Kane, o drama dos conflitos psicológicos, é um equívoco que só quem não conhece a personagem pode cometer. Miller não teve esse mérito, simplesmente porque chegou tarde. Dezesseis anos antes, a reformulação encabeçada por Denny O’Neil, Dick Giordano, Neal Adams e Jim Aparo, levou a deprê à Batcaverna, acrescentando ao mito um arsenal de angústias e tormentos bem ao estilo Marvel.

Mas o equívoco não para aí. Miller jamais retratou o Cruzado de Capa remoído por angústias dramáticas, sentimentos de culpa e conflitos emocionais. Ao contrário, sempre achou meio ridícula essa coisa da personagem questionar o que faz. Para ele, um herói é uma força elemental, um ser mítico que não vive pedindo desculpas por ser como é. Nós, reles mortais, é que padecemos disso.

Levar conflitos emocionais a super-heróis é uma faca de dois gumes. Quando feito com moderação, produz resultados interessantes. É o caso das primeiras aventuras do Aranha ou do Thor de Jack Kirby. No entanto, rapidamente, torna-se redundante e patético. Vide a agonia mensal e obrigatória dos mutantes da Marvel. Até alguns anos atrás, só o X-Factor escapava desse tormento. Bastou Peter David deixar o título para humor e a ação serem postos de lado pelo dramalhão a la novela das oito.

Pouco antes do furacão O cavaleiro das trevas, Batman vinha amargando uma das suas fases mais lacrimogêneas. Carregando nas tintas, Doug Moench tentava ressaltar o “lado humano” do herói. Isso elevou insuportavelmente o teor de psicologia de botequim nas revistas.

A mexicanização da narrativa é uma muleta muito sedutora pro roteirista, ainda que haja o risco de transformar uma aventura num tratado de emoções humanas. E o que é pior... escrito por gente não qualificada. Exemplos dessa “técnica” são os dois primeiros filmes do Batman - porres homéricos de obviedades psicologizantes - e a excrescência que foi a Queda do Morcego.

Miller poupou seu Batman dessa aporrinhação. Na mini-série, o protagonista não tem conflitos emocionais - se tem, não demonstra -, não é amargurado por dúvidas existenciais ou angústia atrozes. Em suma, não se sente culpado pelo que faz. Muito pelo contrário. Está de bem com a vida. Ou melhor, como dizem os americanos, é maior do que a vida. Ele adora combater o crime e jamais questiona seus métodos e propósitos. Dane-se se o resto do mundo não concorda.

Se há discussão e polêmica quanto aos méritos e motivações do Batman, Miller as projeta para fora da personagem. É a própria população perplexa, por meio da televisão, que discute e tenta explicar o fenômeno.

Não quero dizer com isso que a mini-série esqueça a temática psicológica. Miller apenas não se vale dela como muleta. A angústia está presente, mas apenas nas primeiras páginas para provar que Bruce Wayne é um ser sem existência própria. Ele é retratado como um homem atormentado, escondendo-se atrás da bebida e de uma vida de excessos. No entanto, quando cede lugar definitivamente ao Batman, toda e qualquer dor psíquica desaparece. Nas páginas restantes da mini-série, não se vê uma gota sequer de reticência, sentimento de culpa, dúvida moral e outros ingredientes tão comuns na galeria infindável de heróis “humanos”.

Todo roteirista que, inspirado em Miller, decidiu seguir por esse caminho se deu bem. Uma das fases mais agradáveis de Batman em Detective Comics foram as primeiras histórias de Alan Grant e Norm Breyfogle. Nelas, a trama se fundamenta nas proezas da personagem, não nos seus dramas pessoais. Outro exemplo de bom resultado são os desenhos animados do herói de Paul Dini e Bruce Timm. A tônica da série está na ação e no clima sombrio. Os psicologismos têm apenas papel secundário.

Quanto ao Super-Homem ser um covarde que se vendeu à Casa Branca e ao Pentágono, o equívoco é ainda maior. Na verdade, é o Batman que pensa assim. E nós, leitores, sugestionáveis que somos, deixamo-nos levar pelas mesmas idéias. Entretanto, apesar do Homem-Morcego acreditar que está sempre certo, não vamos nos iludir achando que ele realmente tenha razão o tempo todo. Para um homem que, através do combate ao crime, tenta forçar o mundo a fazer sentido, é de se esperar que a atitude do Homem de Aço pareça desprezível e covarde.

Eu prefiro pensar que a postura do Homem de Aço tenham realmente a ver com o medo, mas não aquele que brota da covardia e da falta de caráter e sim do temor respeitoso e prudente que se deve ter por uma força reconhecidamente superior. E que força seria essa capaz de atemorizar o ser mais poderoso da Terra&qt& Miller responde a essa pergunta durante toda a sua mini-série. É do próprio ser humano que Super-Homem tem medo, ou antes, da sua insensatez, da sua intolerância e da ameaça que representa a si mesmo e ao ambiente.

Clark reconhece e respeita o potencial autodestrutivo da humanidade. Afinal, não somos capazes de destruir a Terra várias vezes&qt& (Como se uma não bastasse). Daí sua “obediência” ao governo. Não porque acredite em propostas deste ou porque teme por si mesmo, mas por crer, tão intensamente quanto Batman em seu próprio ponto de vista, que, ao se tornar uma “arma secreta” do governo americano, estaria prevenindo uma desgraça maior. Espera que, agindo assim, proteja a humanidade de si mesma.

Alan Moore parece concordar com o Super-Homem quanto a essa ameaça. Em Watchmen, somos levados a crer, a princípio, que o onipotente Dr. Manhattan tem pleno controle da geopolítica mundial, neutralizando risco de autodestruição nuclear do homem. Com o progredir da trama, vemos que a superioridade de Manhattan é ilusória. Nem mesmo ele seria capaz de deter a beligerância humana.

A terceira edição de O cavaleiro das trevas vem provar que esse temor tinha sua razão de ser, mas a estratégia empregada por Super-Homem era equivocada. A explosão da superbomba atômica e o caos que se seguiu a ela não deixa dúvidas de seu erro. Por sua vez, Batman também havia se enganado. Nada que tenha feito durante toda a mini-série pôde impedir esse desenlace fatal.

Gosto de pensar - como o próprio Miller - que Super-Homem e Batman representam dois lados opostos no universo dos super-heróis, a Luz e as Trevas. Há uma patente diferença entre as posturas e estratégias de ambos. O irônico antagonismo entre esses dois heróis míticos é a maior riqueza da mini-série. Super-Homem, dotado da força de um semideus, respeita e teme a estupidez humana. Sua perspectiva é pessimista.

Por sua vez, Batman, desprovido de superpoderes, é incauto, passional e impulsivo, dispondo-se a arriscar tudo e todos. Otimista até o último momento, subestima o verdadeiro inimigo, desafiando-o sempre de peito aberto.

Afinal, não seriam esses ingredientes, tão presentes em ambos, a matéria prima que compõe os grandes heróis?


[BATMAN - A PIADA MORTAL]

Em Batman: o cavaleiro das trevas, Frank Miller mostrou todo o paradoxo existente entre o Homem Morcego e o Homem de Aço. Batman representa as trevas; Super-Homem, a luz. Ambos, no entanto, são homens cujas vidas, devido a diferentes motivos, se resume ao combate ao crime. No caso do Super-Homem, isso é quase como uma pré-destinação. Alienígena, dotado de imensos poderes e criado com carinho e dedicação ímpares por Martha e Jonathan Kent, o caminho do herói seria algo a surgir quase que inevitavelmente na vida de Clark Kent. Já a “vocação” do jovem Bruce Wayne aflorou quando ele presenciou o assassinato de seus pais. Bastou um dia ruim para que a vida de Wayne mudasse para sempre.

Um dia ruim. Para o Coringa, isso é tudo o que é necessário para transformar a vida de uma pessoa. Não só isso, mas basta um dia desses para que uma pessoa completamente sã perca toda a sua sanidade e adentre os caminhos sem volta da loucura. Basta uma tragédia para que uma pessoa prefira o conforto da loucura ao tormento das lembranças daquele dia.

E é disso, essencialmente, que se trata a aclamada Batman: a piada mortal, escrita por Alan Moore e ilustrada por Brian Bolland (que criou talvez a mais icônica imagem do Coringa), com cores de John Higgins. Até então, o Coringa era um homem sem passado. Nada se sabia da vida do Palhaço do Crime antes dele aparecer em Gotham City cometendo suas atrocidades e atormentando a vida de Batman. A obra de Alan Moore trata não só de criar uma origem, e conseqüentemente, uma dimensionalidade maior ao personagem, como de aproximá-lo do leitor. A partir daquele momento, o Coringa deixa de ser o vilão maniqueísta que até então fora, para se tornar um personagem mais humanizado, de forma que quase dá pra entender o porquê dele ser quem é e fazer o que faz. Mas estou me adiantando.

A piada mortal começa com uma visita de Batman ao Asilo Arkham, o sanatório para criminosos insanos de Gotham. O vigilante vai ao Asilo para visitar o Coringa, tentar conversar com o Palhaço do Crime e colocar um ponto final na longa história de ódio que existe entre esses dois homens. Para a surpresa do Homem Morcego, no entanto, o Coringa fugiu do Arkham e colocou outra pessoa em seu lugar. Quando descobre o ocorrido, Batman sai atrás do vilão.

Enquanto isso, no entanto, o Coringa já está colocando seu plano à prova. Ele quer mostrar ao Batman que até mesmo a mais sã das pessoas pode enlouquecer. Assim, decide fazer uma visita ao comissário Gordon. Quando a filha adotiva do comissário, Bárbara (ex-Batgirl, atual Oráculo) atende a porta, recebe um tiro que parte sua coluna. Enquanto os comparsas do Coringa espancam o policial, o Palhaço do Crime despe Bárbara e tira diversas fotos dela naquela situação, com a coluna partida e, provavelmente, sofrendo algum outro tipo de abuso por parte do criminoso. (Isso, no entanto, não fica claro na trama e é apenas uma especulação da minha parte).

Com isso em mãos, o Coringa leva Jim para um parque de diversões, onde tortura o comissário psicologicamente, mostrando-o as fotos de Bárbara. Seu objetivo é enlouquecê-lo, provando a todos, especialmente ao Batman, que não é preciso muito – apenas uma grande tragédia pessoal – para que uma pessoa perca sua sanidade. E que é apenas isso que separa o vilão de todas as pessoas. Todas menos Batman. Afinal, segundo o criminoso, foi exatamente isso que fez com que Batman decidisse vestir a fantasia de um morcego e sair combatendo o crime nas ruas. Coisa que corresponde a mais pura verdade.

Paralelamente, vemos o “dia ruim” do Coringa. Ex-funcionário de uma fábrica química, o futuro Coringa era um comediante frustrado que decide cometer um crime para poder dar uma vida mais digna à sua esposa grávida e seu futuro filho. A idéia é que, se passando pelo criminoso Capuz Vermelho, ele leve dois criminosos mequetrefes através da fábrica química, com o objetivo de assaltar a empresa vizinha, uma fabricante de baralhos. As coisas começam a dar errado quando, no dia planejado para o assalto, sua esposa morre eletrocutada em um acidente doméstico. Sem motivos para seguir seu plano, o vilão acaba sendo coagido por seus novos sócios a se ater ao combinado. Na hora da ação, no entanto, os planos do bando são frustrados pelos seguranças da empresa e por Batman. Os dois criminosos são baleados enquanto que o homem que se passava pelo Capuz Vermelho acaba entrando em pânico ante a presença de Batman e pula em um tonel de produtos químicos. Sai de lá com a pele branca, os cabelos verdes, lábios vermelhos e completamente enlouquecido.

A piada mortal é uma história que quebra diversos paradigmas dos quadrinhos. Antigamente, a relação herói-vilão era simplista. O herói é a representação do Bem e, o vilão, a do Mal. Com o passar do tempo, especialmente depois da revolução proposta por Stan Lee, Jack Kirby e companhia na década de 60, essa relação mudou um pouco. O maniqueísmo e a relação Bem x Mal ainda estão lá, mas o herói deixa de ser um ser perfeito e passa a apresentar problemas e conflitos internos comuns à qualquer pessoa. O vilão, por sua vez, torna-se um ser um tanto quanto mais complexo, apesar de sua importância ainda se manter inferior à do herói. Mas ainda é ele, o vilão, que extrai do herói o que ele tem de melhor e faz com que ele supere seus limites no intuito de subjugar seu antagonista.

Em A piada mortal, Moore explora a psicologia de Batman, Coringa e do comissário Gordon. Todas as tramas paralelas apresentadas no gibi acabam tendo Gordon como seu referencial e é o comissário que concentra a maioria das perguntas que surgem após a leitura da revista. Afinal de contas, se basta um “dia ruim” para levar a sanidade de uma pessoa, porque o mesmo não aconteceu com Gordon? Porque é que Wayne se transformou no Batman, aquele ex-comediante no Coringa e o comissário escapou ileso? Qual é essa força interna que fez com que Gordon resistisse tão bem ao seu “dia ruim” e que faltou a Wayne e ao Coringa?

Alan Moore também brinda seus leitores com um raro momento de sanidade do Coringa, onde ele praticamente admite que é covarde demais para tentar superar sua condição e que prefere a segurança da loucura ao tormento que aquelas recordações lhe trariam. Mais raro ainda é ver Batman não rindo, mas gargalhando de uma piada contada pelo Palhaço do Crime já no fim da história.

É preciso ressaltar, ainda, a qualidade não só da trama quanto do roteiro de Moore. As passagens que mostram as recordações do Coringa são extremamente bem feitas e mesclam passado e presente de maneira brilhante. A utilização das cores de John Higgins para criar atmosferas climáticas e ressaltar não só essas transições como também as seqüências mais calmas ou violentas são outro ponto positivo da obra.

A segunda metade da década de 80 nos trouxe obras referenciais do Homem-Morcego. A piada mortal, ao lado de Batman: ano um e da supracitada O cavaleiro das trevas está entre uma das mais importantes histórias já estreladas pelo Homem Morcego. Mesmo que nesse caso ele passe apenas de um coadjuvante, já que em A piada mortal o protagonista é o Coringa.

Em 1989, A piada mortal foi agraciada com os mais importantes prêmios da Indústria de Quadrinhos, o Will Eisner Awards (melhor escritor, desenhista e álbum gráfico) e o Harvey Award (melhor história, álbum gráfico, desenhista e colorista).


[BATMAN - ANO UM]

Na segunda metade dos anos 80, a editora DC Comics resolveu que era hora de arrumar a casa. Naquela época a editora era povoada por um sem número de universos paralelos, cada um com seu próprio elenco de personagens, todos muito parecidos entre si. Era uma legião de Batmen, Super-Homens e Mulheres-Maravilhas, cada um advindo de uma dimensão paralela diferente. Era necessário fazer alguma coisa para enxugar aquele excesso de personagens, para que a DC pudesse entrar em uma nova era. A essa limpeza deu-se o nome de Crise nas infinitas terras. Nela centenas de personagens coadjuvantes - e alguns principais, como a primeira Super-Moça e o segundo Flash (Barry Allen) - perderam suas vidas no confronto contra as forças do poderoso Anti-Monitor. No final da série, entre mortos e feridos salvaram-se aqueles cuja relevância era essencial para a mitologia da editora.

O objetivo essencial de Crise nas infinitas terras era a redefinição dos principais personagens da DC, de forma a apresentá-los novamente a uma audiência mais jovem. Assim, todos os principais personagens da editora, em diferentes níveis de profundidade, tiveram suas origens revistas, mantendo algumas de suas características clássicas e adicionando novos elementos às suas mitologias. Para que tal empreitada desse certo, a DC escolheu a dedo aqueles profissionais que cuidariam de re-introduzir estes personagens aos leitores. O Super-Homem foi entregue a John Byrne, que simplesmente revolucionou o personagem, adicionando elementos à sua mitologia que até hoje despertam tanto o amor quanto o ódio dos fãs do herói kriptoniano; a Mulher-Maravilha ficou nas mãos de George Pérez, que produziu uma seqüência de histórias majestosa, fazendo com que o roteirista fosse até hoje considerado o autor definitivo da princesa de Themyscira; já Frank Miller foi incumbido de retomar as origens de Batman.

Miller trabalhou sua história como uma minissérie dentro de uma série regular (Batman #404-407), visitando os primeiros dias do Cavaleiro das Trevas. Melhor dizendo, não os primeiros dias, mas sim o primeiro ano de atividade do Homem-Morcego em Gotham City. Batman: ano um, como o próprio nome sugere, cobre exatamente os primeiros doze meses da vida de Bruce Wayne como Batman, recontando uma história que todo mundo já conhecia, mas adicionando novos elementos à trama.

Batman: ano um começa com o retorno do jovem Bruce Wayne à sua cidade natal, após um longo período de viagens pela Europa e Ásia. Viagens estas que Wayne aproveitou para adquirir e aperfeiçoar todas as habilidades e conhecimentos necessários para seu objetivo: o combate ao crime. Exatamente no mesmo dia em que Wayne retorna a Gotham, o então tenente James Gordon chega à cidade, egresso de Chicago, para assumir um posto na força policial da cidade.

A partir daí, Miller explora duas frentes diferentes ao longo dos quatro capítulos da minissérie. Uma delas é focada em Gordon e mostra como o tenente se impõe ante toda a corrupção que infesta a força policial de Gotham (combatendo-a por dentro com uma discreta, mas fundamental, ajuda de Batman) e como vai conseguindo cada vez mais apoio de imprensa e da opinião pública. Miller mostra as conseqüências sofridas por Gordon quando ele decide não participar dos esquemas sujos da polícia local e como isso afeta sua vida pessoal, culminando na descoberta de seu caso com a detetive Sarah Essen, e na tentativa de assassinato sofrida por sua esposa e filho recém-nascido. A forma como Gordon passa de antagonista a aliado do Homem-Morcego, sua desconfiança de que o playboy Bruce Wayne e o vigilante são a mesma pessoa, seus primeiros contatos com o promotor Harvey Dent e sua promoção a capitão são outros aspectos explorados por Miller, no intuito de estabelecer os paralelos que tornaram o futuro comissário e Batman não só aliados como amigos até certo ponto.

Outro foco de Miller, obviamente, é o próprio Bruce Wayne. A primeira tentativa frustrada de combater o crime, a consciência de que precisava trazer medo aos criminosos, a confecção do traje do morcego, os primeiros conflitos com a polícia e a relação de amizade com Harvey Dent são mostradas ao longo da série. A forma como o Batman conquista a confiança dos policiais honestos de Gotham e se torna um aliado poderoso da polícia também são mostrados ao longo da história, traçando um retrato bem acabado dos primeiros dias de atuação do Cavaleiro das Trevas.

Além de focar-se em Gordon e Batman/Wayne, Miller também mostra rapidamente a origem da Mulher-Gato, então uma prostituta que, inspirada pelos atos do Homem-Morcego, confecciona um uniforme para si, mas com o objetivo de se tornar uma criminosa. Alguns mafiosos, como Carmine Romano, que seria bastante explorado por Jeph Loeb em O longo dia das Bruxas e Vitória sombria, também são apresentados na minissérie.

Com arte de David Mazzucchelli e cores de Richmond Lewis, que dão um clima noir ao gibi, Batman: ano um não é tão revolucionária quanto Batman: o cavaleiro das trevas ou Batman: a piada mortal. Ela reconta a origem do mito do Batman, mantendo seus principais aspectos intactos, enquanto a atualiza para uma audiência mais moderna. Mesmo não sendo nenhuma revolução, Ano um ainda é uma das melhores histórias do personagem em todos os tempos e item essencial na coleção de qualquer fã do Homem-Morcego.


[Fonte: Omelete / Jotapê Martins (O Cavaleiro das Trevas) & Rodrigo Monteiro (Ano Um e A Piada Mortal)]

quinta-feira, 26 de junho de 2008

► Assino embaixo - 1

Outro post que atualizarei semanalmente é o # Ponho minha mão no fogo por.... Que nos mesmos moldes do post abaixo, tratará de filmes que estão para estrear, que ponho minha mão no fogo que serão filmaços, que desde já recomendo e que quero que vocês me cobrem se não for um baita filme.

E começo com: WATCHMEN, a Bíblia dos Quadrinhos. E pra interar vocês do "Universo Watchmen", abaixo segue um breve resumo:

Quando se faz a avaliação da qualidade das obras de quadrinhos dos últimos 25 anos, alguns roteiristas, desenhistas e títulos se destacam, sendo, em sua maioria consensuais entre os fãs e críticos. Esse é o caso de Watchmen, escrito pelo inglês Alan Moore e desenhado por seu conterrâneo Dave Gibbons, e lançado originalmente em 1985.
Moore já havia mostrado seu talento para revolucionar os quadrinhos no início da década, quando reformulou o Monstro do Pântano e criou John Constantine. Com Watchmen e Batman: A piada mortal – ao lado de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller –, o roteirista inglês deu um novo fôlego aos quadrinhos de heróis. E não se fixou neste gênero. Na continuidade de sua carreira, concebeu V de Vingança, Do Inferno e os dois volumes de A Liga Extraordinária.
Em Watchmen, apesar da existência de heróis – ou até pela presença deles na sociedade –, o mundo não está melhor. Ao contrário. Usados e perseguidos pela mídia, que os tornou celebridades, e envolvidos pelo poder em intrigas políticas e guerras sujas, os heróis perderam a credibilidade e foram tirados de circulação.
No entanto, o assassinato de um deles, o Comediante, reacende as memórias e as mágoas dos antigos combatentes do crime. Para saber quem teria interesse em cometer o homicídio, o paranóico e desajustado Rorschach parte para investigar. As pistas apontam para um dos mocinhos. Entre eles se encontram o segundo homem a vestir o uniforme do Coruja, o empresário e ex-vigilante Ozymandias, o onipotente Dr. Manhatan (o único que possui super-poderes de verdade), entre outros.
Síntese crítica dos quadrinhos das eras de ouro e de prata – com a metalinguagem se estendendo até as Tijuana Bibles dos anos 1930 e as histórias de horror da década de 1950 –, Watchmen é muito mais do que uma narrativa de heróis. É um ponto de reflexão sobre a política, a história e as próprias histórias em quadrinhos. Em cada capítulo, o leitor encontra fichas médicas, reportagens e entrevistas com os personagens, elementos que enriquecem a trama, repleta de flashbacks que mostram a formação dos primeiros grupos de heróis e a subseqüente corrupção de seus valores.
Esta obra foi publicada duas vezes pela Editora Abril, inicialmente em 6 edições, de novembro de 1988 a abril de 1989, também publicada em edição encadernada, e depois como uma série em 12 edições, de fevereiro a agosto de 1999. Agora, a Via Lettera republica Watchmen em quatro edições, possibilitando aos leitores que já conhecem este romance gráfico uma nova chance de adquiri-lo, e, às novas gerações, oportunidade de entrar em contato com uma das melhores narrativas seqüenciais da história. E todos poderão voltar a se questionar: "em um mundo em que os heróis fantasiados são reais, quem vigia os vigilantes?"

Basicamente é isso que vocês leram. Um Universo de quadrinhos, mas do ponto de vista real. O filme tem direção de Zack Snyder (Madrugada dos Mortos, 300) e promete ser o filme mais fiel à uma adaptação de quadrinhos feita até hoje. Portanto:
Ponho minha mão no fogo por...

WATCHMEN!!


[Watchmen estréia em 6 de março de 2009]
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