O que você tem quando reúne um cantor competente e icônico como Bruce Springsteen, um ator que está ressurgindo com tudo - e que inclusive ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Drama (Mickey Rourke) -, e um diretor do naipe de Darren Aronofsky (Pi, Requiém para Um Sonho)?
Você tem o filme e a música ganhadora do Globo de Ouro 2009 de Melhor Canção: "The Wrestler".
E de antemão já anuncio aqui uma aposta minha pro Oscar: "The Wrestler" ganhará de Melhor Canção TAMBÉM! Bruce Springsteen estará com tudo! Me cobrem depois. =) [ATUALIZADO] INJUSTAMENTE, "The Wrestler" não foi indicada na categoria Melhor Canção no Oscar 2009. Vai entender...
domingo, 18 de janeiro de 2009
sábado, 17 de janeiro de 2009
► Homens e Mulheres - 14
[A TPM EM 4 FASES]
Segundo a visão masculina, dividiu-se a TPM (Tensão Pré-Menstrual) em 4 fases principais:
[Fase 1 - a Fase Meiguinha]
Tudo começa quando a mulher começa a ficar dengosa, grudentinha! Bom sinal? Talvez, se não fosse mais do que o normal. Ela te abraça do nada, fala com aquela vozinha de criança e com todas as palavras no diminutivo. A fase começa chegar ao fim quando ela diz que está com uma vontade absurda de comer chocolate. O que se segue, é uma mudança sutil desse comportamento, aparentemente inofensivo, para um temperamento um pouco mais depressivo.
[Fase 2 - a Fase Sensível]
Ela passa a se emocionar com qualquer coisa, desde uma pequena rachadura em forma de gatinho no azulejo em frente à privada, até uma reprise de um documentário sobre a vida e a morte trágica de Lady Di. Esse estágio atinge um nível crítico com uma pergunta que assombra todos os homens, desde os inexperientes até os mais escolados como o meu pai: "Você acha que eu estou gorda?" Notem que não é uma simples pergunta retórica. Reparem na entonação, na escolha das palavras. O uso simples do verbo "estou" ao invés da combinação "estou ficando", torna o efeito da pergunta muito mais explosiva do que possamos imaginar. E essa pergunta, meus amigos, é só o começo da pior fase da TPM. Essa pergunta é a linha divisória entre essa fase sensível da mulher para uma fase mais irrascível.
[Fase 3 - a Fase Explosiva]
Meus amigos, essa é a fase mais perigosa da TPM. Há relatos de mulheres que cometeram verdadeiros genocídios nessa fase. Desconfio até que várias limpezas étnicas tenham sido comandadas por mulheres na TPM. Exagero à parte, realmente essa é a pior fase do ciclo tepeêmico. Você chega na casa dela, ela está de pijama, pantufas e descabelada. A cara não é das melhores quando ela te dá um beijo bem rápido, seco e sem língua. Depois de alguns minutos de silêncio total da parte dela, você percebe que ela está assistindo aquele canal japonês que nem ela nem você sabem o nome. Parece ser uma novela ambientada na era feudal. Sem legendas... Então, meio sem graça, sem saber se fez alguma coisa errada, você faz aquela famosa pergunta: "Tá tudo bem?" A resposta é simples e seca: "Tá!" sem olhar na sua cara. Não satisfeito, você emenda um "Tem certeza?", que é respondido mais friamente com um rosnado baixo e cavernoso "Teeenhoo..."
Aí, como somos legais e percebemos que ela não tá muito a fim de papo, deixamos quieto e passamos a tentar acompanhar o que o Tanaka está tramando para tentar tirar Kazuke de Joshiro, o galã da novela que... "Merda, viu!?" - ela rosna de repente. "Que foi?" A Fase Explosiva acaba de atingir o seu ápice com essa pergunta. Sem querer, acabamos de puxar o gatilho. O que se segue são esporros do tipo: "Você não liga pra mim. Tá vendo que eu tô aqui quase chorando e você nem pergunta o que eu tenho. Mas claro. Você só sabe falar de você mesmo. Ah, o seu dia foi uma merda? O meu também. E nem por isso eu fico aqui me lamuriando com você. E pára de me olhar com essa cara. Essa que você faz, e você sabe que me irrita. Você não sabe. Aquele vestido que você me deu ficou apertado. Aaaai, eu fico looooouca quando essas coisas me acontecem. Você também, não quis ir comigo no shopping trocar essa merda. O pior de tudo é que hoje, quando estava indo para o trabalho, um motoqueiro mexeu comigo e você não fez nada. Pra que serve esse seu Jiu-Jitsu? Ah, você não estava comigo? Por que não estava comigo na hora? Tava com alguma vagabunda? Aquela sua colega de trabalho, só pode ser ela. E nem pra me trazer uma porra de um chocolate. Cala sua boca! Sua voz me irrita! Aliás, vai embora antes que eu faça alguma besteira! Some da minha frente!" Desnorteado, você pede penico e vai embora. Tenta dar um beijinho de boa noite e quase leva uma mordida.
[Fase 4 - a Fase da Cólica]
No dia seguinte o telefone toca. É ela, com uma voz chorosa, dizendo que está com uma cólica absurda, de não conseguir nem andar. Você vai à casa dela e ela te recebe dócil, superamável. Faz uma cara de coitada, como se nada tivesse acontecido na noite anterior, e te pede pra ir à farmácia comprar um Atroveran, Ponstan ou Buscopan pra acabar com a dor dela. Você sai pra comprar o remédio meio aliviado, meio desconfiado. "O que aconteceu?" você se pergunta. "Tudo bem!", você pensa. "Acho que ela se livrou do encosto.", pronto. A paz reina novamente. A cólica dobra (literalmente) a fera e vocês voltam a ser um casal feliz. Pelo menos até daqui a 20 dias.
É meu irmão... e Deus criou as mulheres e com elas vieram a TPM... que coisa! =)
Segundo a visão masculina, dividiu-se a TPM (Tensão Pré-Menstrual) em 4 fases principais:
[Fase 1 - a Fase Meiguinha]
Tudo começa quando a mulher começa a ficar dengosa, grudentinha! Bom sinal? Talvez, se não fosse mais do que o normal. Ela te abraça do nada, fala com aquela vozinha de criança e com todas as palavras no diminutivo. A fase começa chegar ao fim quando ela diz que está com uma vontade absurda de comer chocolate. O que se segue, é uma mudança sutil desse comportamento, aparentemente inofensivo, para um temperamento um pouco mais depressivo.
[Fase 2 - a Fase Sensível]
Ela passa a se emocionar com qualquer coisa, desde uma pequena rachadura em forma de gatinho no azulejo em frente à privada, até uma reprise de um documentário sobre a vida e a morte trágica de Lady Di. Esse estágio atinge um nível crítico com uma pergunta que assombra todos os homens, desde os inexperientes até os mais escolados como o meu pai: "Você acha que eu estou gorda?" Notem que não é uma simples pergunta retórica. Reparem na entonação, na escolha das palavras. O uso simples do verbo "estou" ao invés da combinação "estou ficando", torna o efeito da pergunta muito mais explosiva do que possamos imaginar. E essa pergunta, meus amigos, é só o começo da pior fase da TPM. Essa pergunta é a linha divisória entre essa fase sensível da mulher para uma fase mais irrascível.
[Fase 3 - a Fase Explosiva]
Meus amigos, essa é a fase mais perigosa da TPM. Há relatos de mulheres que cometeram verdadeiros genocídios nessa fase. Desconfio até que várias limpezas étnicas tenham sido comandadas por mulheres na TPM. Exagero à parte, realmente essa é a pior fase do ciclo tepeêmico. Você chega na casa dela, ela está de pijama, pantufas e descabelada. A cara não é das melhores quando ela te dá um beijo bem rápido, seco e sem língua. Depois de alguns minutos de silêncio total da parte dela, você percebe que ela está assistindo aquele canal japonês que nem ela nem você sabem o nome. Parece ser uma novela ambientada na era feudal. Sem legendas... Então, meio sem graça, sem saber se fez alguma coisa errada, você faz aquela famosa pergunta: "Tá tudo bem?" A resposta é simples e seca: "Tá!" sem olhar na sua cara. Não satisfeito, você emenda um "Tem certeza?", que é respondido mais friamente com um rosnado baixo e cavernoso "Teeenhoo..."
Aí, como somos legais e percebemos que ela não tá muito a fim de papo, deixamos quieto e passamos a tentar acompanhar o que o Tanaka está tramando para tentar tirar Kazuke de Joshiro, o galã da novela que... "Merda, viu!?" - ela rosna de repente. "Que foi?" A Fase Explosiva acaba de atingir o seu ápice com essa pergunta. Sem querer, acabamos de puxar o gatilho. O que se segue são esporros do tipo: "Você não liga pra mim. Tá vendo que eu tô aqui quase chorando e você nem pergunta o que eu tenho. Mas claro. Você só sabe falar de você mesmo. Ah, o seu dia foi uma merda? O meu também. E nem por isso eu fico aqui me lamuriando com você. E pára de me olhar com essa cara. Essa que você faz, e você sabe que me irrita. Você não sabe. Aquele vestido que você me deu ficou apertado. Aaaai, eu fico looooouca quando essas coisas me acontecem. Você também, não quis ir comigo no shopping trocar essa merda. O pior de tudo é que hoje, quando estava indo para o trabalho, um motoqueiro mexeu comigo e você não fez nada. Pra que serve esse seu Jiu-Jitsu? Ah, você não estava comigo? Por que não estava comigo na hora? Tava com alguma vagabunda? Aquela sua colega de trabalho, só pode ser ela. E nem pra me trazer uma porra de um chocolate. Cala sua boca! Sua voz me irrita! Aliás, vai embora antes que eu faça alguma besteira! Some da minha frente!" Desnorteado, você pede penico e vai embora. Tenta dar um beijinho de boa noite e quase leva uma mordida.
[Fase 4 - a Fase da Cólica]
No dia seguinte o telefone toca. É ela, com uma voz chorosa, dizendo que está com uma cólica absurda, de não conseguir nem andar. Você vai à casa dela e ela te recebe dócil, superamável. Faz uma cara de coitada, como se nada tivesse acontecido na noite anterior, e te pede pra ir à farmácia comprar um Atroveran, Ponstan ou Buscopan pra acabar com a dor dela. Você sai pra comprar o remédio meio aliviado, meio desconfiado. "O que aconteceu?" você se pergunta. "Tudo bem!", você pensa. "Acho que ela se livrou do encosto.", pronto. A paz reina novamente. A cólica dobra (literalmente) a fera e vocês voltam a ser um casal feliz. Pelo menos até daqui a 20 dias.
É meu irmão... e Deus criou as mulheres e com elas vieram a TPM... que coisa! =)
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
► Filmes que recomendo - 7 (Senhores do Crime)
A parteira Ana (Naomi Watts, de O Chamado e King Kong) trabalha em um hospital em Londres e acaba testemunhando a morte de uma jovem garota durante o parto na noite de Natal! Ana acaba decidindo descobrir mais sobre a identidade e a família da garota, para dar a triste notícia pessoalmente. No entanto, a busca acaba colocando-a em perigo quando ela se depara com o lucrativo negócio do tráfico de sexo, comandado por uma organização criminosa da Rússia. Não demora até que o caminho de Ana se cruze com o de Nickolai (Viggo Mortensen, o Aragorn de O Senhor dos Anéis - numa interpetação magnífica), um homem violento e misterioso que acaba revelando ser muito mais do que aparenta.
Uma frase de Viggo Mortensen não me sai da cabeça: "por que diabos David Cronenberg nunca ganhou um Oscar? Um diretor que tem no currículo filmes cults como Scanners e A Mosca (só para citar dois filmes medianos - medianos, porém, cultuados, e que já mostravam o seu talento em articular histórias fantásticas) passando pelos ótimos (e subestimados) Crash - Estranhos Prazeres e eXistenZ e finalmente chegando às suas duas maiores obras-primas até hoje (na minha opinião, claro) Marcas da Violência e este excelente e perturbador Senhores do Crime, os dois com o ator Viggo Mortensen (será que tá pintando uma nova parceria na história do cinema entre diretor e ator? É só olhar Martin Scorcese e Robert De Niro/Leonardo DiCaprio, Tim Burton e Johnny Depp, para citar só dois exemplos).
O status deste filme se deve - e muito - a Viggo Mortensen. O seu Nickolai é de uma intensidade, mas ao mesmo tempo de uma sutileza ímpar. Tanto que foi indicado ao Oscar de Melhor Ator no ano passado. E sabe qual o momento que você olha e diz: "este cara vai ser indicado ao Oscar? Merece, porra!" Reparem na cena em que Mortensen briga (pela sua vida) pelado numa sauna contra dois homens que querem matá-lo. Desde já, é uma cena antológica e daqui a 10, 20, 50 anos, você estará lembrando dela. O jeito que Viggo se despe de qualquer vaidade e encara o papel, é magnífico.
Temos também Naomi Watts, Vincent Cassel (de Irreversível) e Armin Mueller-Stahl (soberbo), no papel do patriarca russo, pai de Cassel. Enfim, um filme "Cronenberg" dos pés à cabeça, onde a história irá lhe prender e a tensão a cada minuto será uma constante. Parabéns a Cronenberg, Mortensen & Cia, pois criar um filme denso que nem este, e ao mesmo tempo tão instigante, é para poucos. Mas acho que tendo um diretor tão talentoso por trás, se torna fácil. Quem sabe um dia reconheçam o trabalho de Cronenberg, como ele deveria ser reconhecido...
Não é mesmo, Viggo?
["Senhores do Crime" ("Eastern Promises") Drama - 2007 - 100min. De: David Cronenberg. Com: Viggo Mortensen, Naomi Watts, Vincent Cassel, Armin Mueller-Stahl, Jerzy Skolimowski e Mina E. Mina]
Uma frase de Viggo Mortensen não me sai da cabeça: "por que diabos David Cronenberg nunca ganhou um Oscar? Um diretor que tem no currículo filmes cults como Scanners e A Mosca (só para citar dois filmes medianos - medianos, porém, cultuados, e que já mostravam o seu talento em articular histórias fantásticas) passando pelos ótimos (e subestimados) Crash - Estranhos Prazeres e eXistenZ e finalmente chegando às suas duas maiores obras-primas até hoje (na minha opinião, claro) Marcas da Violência e este excelente e perturbador Senhores do Crime, os dois com o ator Viggo Mortensen (será que tá pintando uma nova parceria na história do cinema entre diretor e ator? É só olhar Martin Scorcese e Robert De Niro/Leonardo DiCaprio, Tim Burton e Johnny Depp, para citar só dois exemplos).O status deste filme se deve - e muito - a Viggo Mortensen. O seu Nickolai é de uma intensidade, mas ao mesmo tempo de uma sutileza ímpar. Tanto que foi indicado ao Oscar de Melhor Ator no ano passado. E sabe qual o momento que você olha e diz: "este cara vai ser indicado ao Oscar? Merece, porra!" Reparem na cena em que Mortensen briga (pela sua vida) pelado numa sauna contra dois homens que querem matá-lo. Desde já, é uma cena antológica e daqui a 10, 20, 50 anos, você estará lembrando dela. O jeito que Viggo se despe de qualquer vaidade e encara o papel, é magnífico.
Temos também Naomi Watts, Vincent Cassel (de Irreversível) e Armin Mueller-Stahl (soberbo), no papel do patriarca russo, pai de Cassel. Enfim, um filme "Cronenberg" dos pés à cabeça, onde a história irá lhe prender e a tensão a cada minuto será uma constante. Parabéns a Cronenberg, Mortensen & Cia, pois criar um filme denso que nem este, e ao mesmo tempo tão instigante, é para poucos. Mas acho que tendo um diretor tão talentoso por trás, se torna fácil. Quem sabe um dia reconheçam o trabalho de Cronenberg, como ele deveria ser reconhecido...
Não é mesmo, Viggo?
["Senhores do Crime" ("Eastern Promises") Drama - 2007 - 100min. De: David Cronenberg. Com: Viggo Mortensen, Naomi Watts, Vincent Cassel, Armin Mueller-Stahl, Jerzy Skolimowski e Mina E. Mina]
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
► Biografias - 1 (Stephen King)
Sou um devorador voraz de biografias. Desde que li uma sobre John Kennedy, é o tipo de coisa que me interessa e me entretém. Aliás, considero essa coisa (auto)biográfica, meio que um "voyerismo". Enfim...
Podem ser biografias de personalidades históricas (Kennedy), cantores (Tim Maia)/grupos (Rolling Stones) e até mesmo de jogadores de futebol (Garrincha por exemplo). Mas em se tratando de biografias, eu curto mesmo é de artistas de cinema. Sejam livros ou sejam matérias em revistas "biografando" a personalidade em questão, pra mim é um prato cheio. E por gostar tanto de saber da vida, da trajetória, da história e dos filmes de tal artista...
... é que começo aqui no blogger um tópico só sobre BIOGRAFIAS.
E começo pelo meu autor preferido: STEPHEN KING, "O Rei do Horror".

NOTA: Obviamente retirarei a(s) biografia(s) da(s) pessoa(s) citada(s) neste post, de autores com conhecimento de causa da matéria, e citando a fonte logo abaixo, lógico. E nesta excelente matéria sobre King, quem assina é Eduardo Torelli, colaborador da revista SET.
***
[UM MERGULHO NA OBRA DE STEPHEN KING, ONDE MONSTROS, ESPECTROS E LOBISOMENS ESPELHAM A PSICOLOGIA TURBULENTA DE SEU CRIADOR - E A DE SEUS LEITORES]
O que há em comum entre o gigante John Coffey (Michael Clarke Duncan), de À Espera de Um Milagre, um hotel assombrado no Colorado (EUA) e um Plymouth Fury 1958 que acelera e mata por conta própria? Ora - são criações da fértil imaginação de Stephen Edwin King, também conhecido pela alcunha de STEPHEN KING. Em poucas palavras, ele é o mestre moderno do horror, do suspense e da fantasia! Título honorável - mas que demorou a ser conquistado. Antes de se tornar um autor de best-sellers, King amargou um longo anonimato e não foi fácil manter o status.
O gosto pela prosa terrorífica manifestou-se muito cedo na vida do garoto introvertido, nascido em Portland e criado pela mãe. Leitor compulsivo dos quadrinhos de horror da EC Comics - entre eles, a antológica revista Tales From the Crypt -, King tinha nos vampiros, lobisomens e monstros do espaço seus melhores amigos em uma infância nada idealizada: a pobreza e a ausência do pai moldaram um adulto cheio de complexos - mas que encontrou, no mágico e no improvável, um antídoto para suas inseguranças. À maneira dos gigantes que o precederam nesse gênero (sendo os exemplos mais óbvios H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe), o "divã" da literatura o salvou - apesar de alguns problemas superados com o álcool e as drogas nos Anos 70, King aprendeu a lidar com suas frustrações imprimindo-as no papel.
[O LEGADO DE CARRIE]
O sucesso do romance Carrie (sobre uma menina paranormal) - cujo manuscrito sua esposa, Tabitha, literalmente "salvou" da lixeira - foi o passaporte para uma vida mais confortável. Afinal, suas primeiras histórias foram redigidas quando King, Tabitha e os filhos moravam em um trailer, e o autor trabalhava em uma pequena máquina de escrever acomodada nos joelhos. A Carrie seguiram-se outras novelas populares, como A Hora do Vampiro, Zona Morta e Cujo.
O que o autor produziu de lá para cá ainda suscita debates: ninguém questiona seus méritos na escrita - King é autor de uma prestigiada obra sobre o ofício de escrever, On Writing, misto de autobiografia e livro didático com dicas para novatos que aspiram à carreira literária. Mas no campo das artes, alguns esnobes ainda consideram seu legado "menor". Em parte, pela má qualidade de muitos filmes inspirados em sua obra, um revés que começa a ser superado agora - quando roteiristas e cineastas de porte se debruçam sobre seus livros e descobrem que o melhor de King não são os monstros que fazem figuração nas tramas, e sim as pessoas que nelas aparecem, bem como a sofisticada abordagem psicológica que o autor dispensa a cada uma. Caso de The Mist (O Nevoeiro), que já estreou por aqui e foi um relativo sucesso...
A relação de King com o cinema foi precoce: em 1976, Brian de Palma escolheu Carrie, editado dois anos antes, como tema de um de seus longa-metragens. Estrelado por Sissy Spacek (e com um jovem John Travolta no time de coadjuvantes), o filme foi bem recebido e transformou o autor em celebridade. Aos poucos, Hollywood descobria as novelas de King - e o clímax dessa "relação" se deu em 1980, quando Stanley Kubrick lançou mão de outro argumento do autor, O Iluminado, como base para o pretendido "maior filme de terror de todos os tempos".
Com Jack Nicholson "possuído" pelo personagem Jack Torrance - escritor que pega um emprego temporário no hotel de veraneio Overlock e que enlouquece sob influência de fantasmas que habitam o lugar -, planos de câmera mirabolantes e trilha sonora memorável de Wendy Carlos e Rachel Elkind, o filme logo se tornou cult. Mas King teve um momento difícil trabalhando com Kubrick. Conta-se que, durante as filmagens, era comum o diretor ligar para ele altas horas da madrugada com perguntas esdrúxulas: "Você acredita em fantasmas? Pois eu não acredito!". Embora o mundo pense o contrário, King não vê O Iluminado como "o maior filme de terror de todos os tempos" - nem sequer o considera uma tradução fidedigna de seu romance para as telas. O pior é que, conhecendo a obra do autor, qualquer um se sentirá inclinado a concordar com ele.
Nos enredos de King, o "monstro" é o que menos importa - na verdade, costuma ser um ardil bem discutível, como uma máquina de passar roupas assassina, um vampiro que mora no Maine ou um dedo indicador que inexplicavelmente irrompe do ralo de um banheiro. As habilidades narrativas do autor concentram-se no delineamento dos personagens, suas inter-relações e em conteúdos emotivo - os verdadeiros combustíveis de suas novelas. Não raro, também, os seres tenebrosos que inventa são facetas da psicologia dos próprios protagonistas: o carro de Christine espelha a psicopatia de um adolescente frustrado; os quartos assombrados do Overlock são uma extensão dos recônditos sombrios na mente do próprio Jack Torrance, personagem propenso à insanidade. Embora importantíssima nos romances, tal abordagem foi, por muito tempo, descartada em suas versões fílmicas. Tecnicamente, Kubrick realizou uma obra-prima em O Iluminado - mas os aspectos psicológicos, embora presentes, foram "achatados" na narrativa.
[ANOS 80: ACERTOS, EQUÍVOCOS E AC/DC]
Descontente, King recebeu George Romero para uma visita em sua casa, no Maine, após concluir a parceria com Kubrick. Romero - autor do clássico e charmosíssimo trash A Noite dos Mortos Vivos - não acenava com grandes credenciais, mas parecia entender melhor a essência de seus livros. Juntos, os dois realizaram uma pequena e despretensiosa pérola do terror mundano, Creepshow (compilação de cinco contos que homenageavam os gibis da EC Comics), no qual o autor até desempenhou um dos papéis - o do fazendeiro transformado em planta após a queda de um meteorito. Mesmo que feito para consumo rápido, o filme tinha as virtudes que tornam os livros tão gostosos de ler: narrativa ágil, além de doses de humor e personagens bem construídos.
Lançado em 1982, Creepshow foi sucedido por outras adaptações legais de seus livros: Cujo, Cão Raivoso (1983) - o "vilão" é um são-bernardo hidrófobo - e Christine, o Carro Assassino (1983), a versão de John Carpenter para uma das mais charmosas novelas de King, sobre um carro assombrado que só toca músicas antigas e que à noite sai da garagem para matar os desafetos de seu dono, Arnie Cunningham (Keith Gordon).
Se grande parte dos livros do mestre adaptados para o telão em anos subsequentes pecaram no quesito "qualidade", parte da culpa é atribuída ao próprio King. Experimentando um pico de popularidade, o autor delegou suas obras a toda sorte de produtores, quase sempre levando em conta apenas o aspecto financeiro. Foi uma fase de produções medíocres - na melhor das hipóteses, medianas - com o selo "Stephen King": entre elas, Chamas de Vingança, Olhos de Gato e A Hora do Lobisomem, todas lançadas na metade dos Anos 80. O maior desastre no entanto foi dirigido pelo próprio King quando a soberba lhe subiu à cabeça e decidiu ensinar aos grandes cineastas como abordar suas idéias no telão: Comboio do Terror é um insosso filme apocalíptico em que carros e caminhões - com uma ajudinha de facas elétricas, rádios e qualquer coisa que contenha parafusos - orquestram uma improvável "guerra" contra o homem! Só se salvou a trilha sonora pauleira, assinada pelo AC/DC.
A "grife" Stephen King estava em apuros. O autor enchia os bolsos de dinheiro e diversificava seus negócios (fanático por rock, ele já adquirira, nessa época, uma pequena emissora de rádio especializada no gênero). Em socorro de sua integridade artística veio Rob Reiner, diretor veterano que adaptou, com grande talento, o conto "O Corpo" (publicado na compilação Quatro Estações) para as telas. Na trama, adolescentes tentam resgatar o cadáver de outro menino, vítima de acidente, e paralelamente empreendem uma jornada de autodescoberta. Com elenco notável - incluindo River Phoenix e um jovem Kiefer Sutherland, vivendo um delinqüente -, Conta Comigo (1986) estabeleceu um novo parâmetro em termos de adaptações.
Uma vez mais, sua bibliografia estava na mira de realizadores talentosos. O que não impediu, é claro, que outras bobagens fossem perpetradas em seu nome, como os fracotes O Sobrevivente - com Arnold Schwarzenegger encarando um Big Brother futurista cujo prêmio é continuar vivo -, A Criatura do Cemitério ("estrelado" por ratazana gigante e inspirado no conto "O Túnel do Horror") e Sonâmbulos - o pior de todos. No entanto, depois de Conta Comigo, Hollywood entendeu a essência dos livros de King - e disso resultaram longas memoráveis, em pequena ou grande escala. Na primeira enquadra-se a adaptação de O Cemitério, filme de horror modesto, mas acertado, dirigido por Mary Lambert (no Brasil, virou O Cemitério Maldito). Esforços mais bem-sucedidos estavam por vir.

[MARTELADA NO PÉ]
Em 1990, a obra Angústia também migrou para o cinema em uma produção "Classe A" orquestrada pelo mesmo Rob Reiner de Conta Comigo (e estrelada por James Caan e Kathy Bates): Louca Obsessão. Não é exagero dizer que a seqüência em que Bates acerta uma martelada no pé do personagem de Caan já figura entre os melhores momentos agoniantes do cinema. A Metade Negra, de 1993, também foi uma boa transposição de livro homônimo (versão para "O Médico e o Monstro"), substituindo o cientista e Mr. Hyde por um escritor de livros violentos e seu alter ego sinistro.

O próximo acerto foi o sensível Um Sonho de Liberdade (1994), veículo para interpretações magistrais da dupla Morgan Freeman e Tim Robbins (vivendo dois detentos do fictício presídio Shawshank, que figura sempre na obra de King). De tão dramático, nem parecia coisa do autor - mas os que conhecem seu trabalho, sabem que suas histórias sempre têm forte conteúdo emocional!. A reputação de King subiu mais alguns pontos - e diretores como Tom Holland (A Hora do Espanto) e Bryan Singer (X-Men) voltaram-se para suas tramas apresentando espetáculos curiosos: A Maldição (1996) e O Aprendiz (1998).
Mas foi Frank Darabont que conferiu a King a láurea maior que um autor da atualidade pode aspirar em Hollywood, com sua brilhante versão para o écran do romance O Corredor da Morte. O filme em questão - À Espera de Um Milagre (1999), com Tom Hanks - não é apenas uma prova incontestável dos notáveis atributos de King como ficcionista, mas uma recompensa muito mais vultosa que todo o dinheiro que ele arrecadou nos Anos 80, quando era, literalmente, o "Rei do Pop" - título de sua coluna na revista Entertainment Weekly (Darabont também assina a transposição de O Nevoeiro/The Mist).
King pode não ser mais o Rei do Pop - ele é o primeiro a admitir que criar novos argumentos é cada vez mais difícil e que seu status literário foi suplantado por autores como Tom Clancy e Dan Brown. Mas se estivermos assistindo ao crepúsculo de sua obra, os fãs saberão que têm em mãos um legado inestimável de histórias extraordinárias, que gelam o nosso sangue quando nos conduzem por quartos escuros que podem ser os desvãos de nossas próprias mentes. Haverá espectros e "coisas" de olhos esbugalhados no caminho - e de tão absorvido com os dramas dos personagens, é capaz que você nem seques os note... até ser tarde demais.
[Fonte: Eduardo Torelli - revista SET]
Podem ser biografias de personalidades históricas (Kennedy), cantores (Tim Maia)/grupos (Rolling Stones) e até mesmo de jogadores de futebol (Garrincha por exemplo). Mas em se tratando de biografias, eu curto mesmo é de artistas de cinema. Sejam livros ou sejam matérias em revistas "biografando" a personalidade em questão, pra mim é um prato cheio. E por gostar tanto de saber da vida, da trajetória, da história e dos filmes de tal artista...
... é que começo aqui no blogger um tópico só sobre BIOGRAFIAS.
E começo pelo meu autor preferido: STEPHEN KING, "O Rei do Horror".

NOTA: Obviamente retirarei a(s) biografia(s) da(s) pessoa(s) citada(s) neste post, de autores com conhecimento de causa da matéria, e citando a fonte logo abaixo, lógico. E nesta excelente matéria sobre King, quem assina é Eduardo Torelli, colaborador da revista SET.
***
[UM MERGULHO NA OBRA DE STEPHEN KING, ONDE MONSTROS, ESPECTROS E LOBISOMENS ESPELHAM A PSICOLOGIA TURBULENTA DE SEU CRIADOR - E A DE SEUS LEITORES]
O que há em comum entre o gigante John Coffey (Michael Clarke Duncan), de À Espera de Um Milagre, um hotel assombrado no Colorado (EUA) e um Plymouth Fury 1958 que acelera e mata por conta própria? Ora - são criações da fértil imaginação de Stephen Edwin King, também conhecido pela alcunha de STEPHEN KING. Em poucas palavras, ele é o mestre moderno do horror, do suspense e da fantasia! Título honorável - mas que demorou a ser conquistado. Antes de se tornar um autor de best-sellers, King amargou um longo anonimato e não foi fácil manter o status.
O gosto pela prosa terrorífica manifestou-se muito cedo na vida do garoto introvertido, nascido em Portland e criado pela mãe. Leitor compulsivo dos quadrinhos de horror da EC Comics - entre eles, a antológica revista Tales From the Crypt -, King tinha nos vampiros, lobisomens e monstros do espaço seus melhores amigos em uma infância nada idealizada: a pobreza e a ausência do pai moldaram um adulto cheio de complexos - mas que encontrou, no mágico e no improvável, um antídoto para suas inseguranças. À maneira dos gigantes que o precederam nesse gênero (sendo os exemplos mais óbvios H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe), o "divã" da literatura o salvou - apesar de alguns problemas superados com o álcool e as drogas nos Anos 70, King aprendeu a lidar com suas frustrações imprimindo-as no papel.
[O LEGADO DE CARRIE]
O sucesso do romance Carrie (sobre uma menina paranormal) - cujo manuscrito sua esposa, Tabitha, literalmente "salvou" da lixeira - foi o passaporte para uma vida mais confortável. Afinal, suas primeiras histórias foram redigidas quando King, Tabitha e os filhos moravam em um trailer, e o autor trabalhava em uma pequena máquina de escrever acomodada nos joelhos. A Carrie seguiram-se outras novelas populares, como A Hora do Vampiro, Zona Morta e Cujo.
O que o autor produziu de lá para cá ainda suscita debates: ninguém questiona seus méritos na escrita - King é autor de uma prestigiada obra sobre o ofício de escrever, On Writing, misto de autobiografia e livro didático com dicas para novatos que aspiram à carreira literária. Mas no campo das artes, alguns esnobes ainda consideram seu legado "menor". Em parte, pela má qualidade de muitos filmes inspirados em sua obra, um revés que começa a ser superado agora - quando roteiristas e cineastas de porte se debruçam sobre seus livros e descobrem que o melhor de King não são os monstros que fazem figuração nas tramas, e sim as pessoas que nelas aparecem, bem como a sofisticada abordagem psicológica que o autor dispensa a cada uma. Caso de The Mist (O Nevoeiro), que já estreou por aqui e foi um relativo sucesso...A relação de King com o cinema foi precoce: em 1976, Brian de Palma escolheu Carrie, editado dois anos antes, como tema de um de seus longa-metragens. Estrelado por Sissy Spacek (e com um jovem John Travolta no time de coadjuvantes), o filme foi bem recebido e transformou o autor em celebridade. Aos poucos, Hollywood descobria as novelas de King - e o clímax dessa "relação" se deu em 1980, quando Stanley Kubrick lançou mão de outro argumento do autor, O Iluminado, como base para o pretendido "maior filme de terror de todos os tempos".
Com Jack Nicholson "possuído" pelo personagem Jack Torrance - escritor que pega um emprego temporário no hotel de veraneio Overlock e que enlouquece sob influência de fantasmas que habitam o lugar -, planos de câmera mirabolantes e trilha sonora memorável de Wendy Carlos e Rachel Elkind, o filme logo se tornou cult. Mas King teve um momento difícil trabalhando com Kubrick. Conta-se que, durante as filmagens, era comum o diretor ligar para ele altas horas da madrugada com perguntas esdrúxulas: "Você acredita em fantasmas? Pois eu não acredito!". Embora o mundo pense o contrário, King não vê O Iluminado como "o maior filme de terror de todos os tempos" - nem sequer o considera uma tradução fidedigna de seu romance para as telas. O pior é que, conhecendo a obra do autor, qualquer um se sentirá inclinado a concordar com ele.Nos enredos de King, o "monstro" é o que menos importa - na verdade, costuma ser um ardil bem discutível, como uma máquina de passar roupas assassina, um vampiro que mora no Maine ou um dedo indicador que inexplicavelmente irrompe do ralo de um banheiro. As habilidades narrativas do autor concentram-se no delineamento dos personagens, suas inter-relações e em conteúdos emotivo - os verdadeiros combustíveis de suas novelas. Não raro, também, os seres tenebrosos que inventa são facetas da psicologia dos próprios protagonistas: o carro de Christine espelha a psicopatia de um adolescente frustrado; os quartos assombrados do Overlock são uma extensão dos recônditos sombrios na mente do próprio Jack Torrance, personagem propenso à insanidade. Embora importantíssima nos romances, tal abordagem foi, por muito tempo, descartada em suas versões fílmicas. Tecnicamente, Kubrick realizou uma obra-prima em O Iluminado - mas os aspectos psicológicos, embora presentes, foram "achatados" na narrativa.
[ANOS 80: ACERTOS, EQUÍVOCOS E AC/DC]
Descontente, King recebeu George Romero para uma visita em sua casa, no Maine, após concluir a parceria com Kubrick. Romero - autor do clássico e charmosíssimo trash A Noite dos Mortos Vivos - não acenava com grandes credenciais, mas parecia entender melhor a essência de seus livros. Juntos, os dois realizaram uma pequena e despretensiosa pérola do terror mundano, Creepshow (compilação de cinco contos que homenageavam os gibis da EC Comics), no qual o autor até desempenhou um dos papéis - o do fazendeiro transformado em planta após a queda de um meteorito. Mesmo que feito para consumo rápido, o filme tinha as virtudes que tornam os livros tão gostosos de ler: narrativa ágil, além de doses de humor e personagens bem construídos.
Lançado em 1982, Creepshow foi sucedido por outras adaptações legais de seus livros: Cujo, Cão Raivoso (1983) - o "vilão" é um são-bernardo hidrófobo - e Christine, o Carro Assassino (1983), a versão de John Carpenter para uma das mais charmosas novelas de King, sobre um carro assombrado que só toca músicas antigas e que à noite sai da garagem para matar os desafetos de seu dono, Arnie Cunningham (Keith Gordon).Se grande parte dos livros do mestre adaptados para o telão em anos subsequentes pecaram no quesito "qualidade", parte da culpa é atribuída ao próprio King. Experimentando um pico de popularidade, o autor delegou suas obras a toda sorte de produtores, quase sempre levando em conta apenas o aspecto financeiro. Foi uma fase de produções medíocres - na melhor das hipóteses, medianas - com o selo "Stephen King": entre elas, Chamas de Vingança, Olhos de Gato e A Hora do Lobisomem, todas lançadas na metade dos Anos 80. O maior desastre no entanto foi dirigido pelo próprio King quando a soberba lhe subiu à cabeça e decidiu ensinar aos grandes cineastas como abordar suas idéias no telão: Comboio do Terror é um insosso filme apocalíptico em que carros e caminhões - com uma ajudinha de facas elétricas, rádios e qualquer coisa que contenha parafusos - orquestram uma improvável "guerra" contra o homem! Só se salvou a trilha sonora pauleira, assinada pelo AC/DC.
A "grife" Stephen King estava em apuros. O autor enchia os bolsos de dinheiro e diversificava seus negócios (fanático por rock, ele já adquirira, nessa época, uma pequena emissora de rádio especializada no gênero). Em socorro de sua integridade artística veio Rob Reiner, diretor veterano que adaptou, com grande talento, o conto "O Corpo" (publicado na compilação Quatro Estações) para as telas. Na trama, adolescentes tentam resgatar o cadáver de outro menino, vítima de acidente, e paralelamente empreendem uma jornada de autodescoberta. Com elenco notável - incluindo River Phoenix e um jovem Kiefer Sutherland, vivendo um delinqüente -, Conta Comigo (1986) estabeleceu um novo parâmetro em termos de adaptações.
Uma vez mais, sua bibliografia estava na mira de realizadores talentosos. O que não impediu, é claro, que outras bobagens fossem perpetradas em seu nome, como os fracotes O Sobrevivente - com Arnold Schwarzenegger encarando um Big Brother futurista cujo prêmio é continuar vivo -, A Criatura do Cemitério ("estrelado" por ratazana gigante e inspirado no conto "O Túnel do Horror") e Sonâmbulos - o pior de todos. No entanto, depois de Conta Comigo, Hollywood entendeu a essência dos livros de King - e disso resultaram longas memoráveis, em pequena ou grande escala. Na primeira enquadra-se a adaptação de O Cemitério, filme de horror modesto, mas acertado, dirigido por Mary Lambert (no Brasil, virou O Cemitério Maldito). Esforços mais bem-sucedidos estavam por vir.

[MARTELADA NO PÉ]
Em 1990, a obra Angústia também migrou para o cinema em uma produção "Classe A" orquestrada pelo mesmo Rob Reiner de Conta Comigo (e estrelada por James Caan e Kathy Bates): Louca Obsessão. Não é exagero dizer que a seqüência em que Bates acerta uma martelada no pé do personagem de Caan já figura entre os melhores momentos agoniantes do cinema. A Metade Negra, de 1993, também foi uma boa transposição de livro homônimo (versão para "O Médico e o Monstro"), substituindo o cientista e Mr. Hyde por um escritor de livros violentos e seu alter ego sinistro.

O próximo acerto foi o sensível Um Sonho de Liberdade (1994), veículo para interpretações magistrais da dupla Morgan Freeman e Tim Robbins (vivendo dois detentos do fictício presídio Shawshank, que figura sempre na obra de King). De tão dramático, nem parecia coisa do autor - mas os que conhecem seu trabalho, sabem que suas histórias sempre têm forte conteúdo emocional!. A reputação de King subiu mais alguns pontos - e diretores como Tom Holland (A Hora do Espanto) e Bryan Singer (X-Men) voltaram-se para suas tramas apresentando espetáculos curiosos: A Maldição (1996) e O Aprendiz (1998).
Mas foi Frank Darabont que conferiu a King a láurea maior que um autor da atualidade pode aspirar em Hollywood, com sua brilhante versão para o écran do romance O Corredor da Morte. O filme em questão - À Espera de Um Milagre (1999), com Tom Hanks - não é apenas uma prova incontestável dos notáveis atributos de King como ficcionista, mas uma recompensa muito mais vultosa que todo o dinheiro que ele arrecadou nos Anos 80, quando era, literalmente, o "Rei do Pop" - título de sua coluna na revista Entertainment Weekly (Darabont também assina a transposição de O Nevoeiro/The Mist).
King pode não ser mais o Rei do Pop - ele é o primeiro a admitir que criar novos argumentos é cada vez mais difícil e que seu status literário foi suplantado por autores como Tom Clancy e Dan Brown. Mas se estivermos assistindo ao crepúsculo de sua obra, os fãs saberão que têm em mãos um legado inestimável de histórias extraordinárias, que gelam o nosso sangue quando nos conduzem por quartos escuros que podem ser os desvãos de nossas próprias mentes. Haverá espectros e "coisas" de olhos esbugalhados no caminho - e de tão absorvido com os dramas dos personagens, é capaz que você nem seques os note... até ser tarde demais.
[Fonte: Eduardo Torelli - revista SET]
► Você TEM que conhecer - 1 (Livraria Cultura)
Inauguro aqui no Cultura Pop sobre Tudo e Nada um novo tópico. O nome é "# Você TEM que conhecer" e ele tratará (e trará) pontos de Porto Alegre (onde moro - ou fora de Porto Alegre) que você TEM que conhecer. Seja um local chique, um buraco, buteco, um X-porcaria (mas que é bom), sejam barzinhos, restaurantes, livrarias, cinemas, etc.
Não farei média com ninguém (até porque não preciso disso) e falarei do que curto, doa a quem doer. Me achou chinelão por curtir tal coisa? Lamento, fazer o que, este sou eu. rsrs. Compartilha da mesma opinião que eu sobre tal lugar? Legal, quem sabe já não tenhamos nos pexado por lá!? Enfim, tentarei ser o mais diversificado possível, mostrando lugares que por algum motivo (seja a comida boa, o chopp excelente, um lugar para jogar uma sinuca tranquilo ou um bom Café, por exemplo), eu considero bem interessantes para você dar uma conferida.
Então é isso!
E o primeiro post - apesar de ser meio manjado e apostar que todo mundo curte - é um local que é a minha segunda casa, adoro, e onde compro quase todos meus DVD's e livros. O nome?
[LIVRARIA CULTURA]

[OPINIÃO]
Um lugar agradabilíssimo, situado num Shopping show de bola (Bourbon Country), cercado de coisas boas (Dado Bier (só restaurante agora, não é mais danceteria), um Café muito bom ao lado, os cinemas ao fundo, o teatro do Country que é uma coisa de louco, restaurantes como Joe e Leo's, Marcos (frutos do mar), entre outras sugestões). Climatizado, atendimento muito bom por parte dos funcionários (seja na parte de CD's, DVD's e/ou livros), um auditório para shows de pequeno porte, ambiente próprio para autógrafos de escritores que estão lançando livros, um Café dentro da livraria onde você pode ler seu livro, conversar, folhear uma revista, etc. E claro, como citarei abaixo, a diversidade de DVD's e livros que a Cultura possui. Imperdível para quem gosta de um lugar aconchegante, bem projetado e repleto de - perdão com o trocadilho - "cultura".
[PONTO POSITIVO]
A enorme diversidade de DVD's e livros. Ninguém bate a Cultura hoje em dia. A Saraiva (entre outras) por exemplo, vão ter que comer muita poeira pra alcançar o patamar e o acervo que a Cultura já possui.
[PONTO NEGATIVO]
Tô passando por um agora, por exemplo. Reservei um DVD dia 04/12/2008, e até hoje eles estão esperando o fornecedor deles mandar o tal DVD. Claro que nesse meio tempo todo, eles estão me dando retorno de como anda o pedido da mercadoria e tal, mas uma livraria, do porte da Cultura, não ter um DVD em loja ou ficar emperrando o cliente por tão pouco, é lamentável. Mas até hoje digo que foi uma exceção, pois de dez coisas que eu queria, consegui no ato nove.
[NUMA ESCALA DE 0 À 10, DOU NOTA...]
... 10

[LIVRARIA CULTURA]
Endereço: Av Túlio Rose, 80
Bairro: Passo da Areia - Porto Alegre/RS
Fone: (51) 3362-4227
Horário de funcionamento: de segunda a sábado - das 10h às 22h - Domingos e feriados - das 14h às 20h
Site: www.livrariacultura.com.br
Não farei média com ninguém (até porque não preciso disso) e falarei do que curto, doa a quem doer. Me achou chinelão por curtir tal coisa? Lamento, fazer o que, este sou eu. rsrs. Compartilha da mesma opinião que eu sobre tal lugar? Legal, quem sabe já não tenhamos nos pexado por lá!? Enfim, tentarei ser o mais diversificado possível, mostrando lugares que por algum motivo (seja a comida boa, o chopp excelente, um lugar para jogar uma sinuca tranquilo ou um bom Café, por exemplo), eu considero bem interessantes para você dar uma conferida.
Então é isso!
E o primeiro post - apesar de ser meio manjado e apostar que todo mundo curte - é um local que é a minha segunda casa, adoro, e onde compro quase todos meus DVD's e livros. O nome?
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[OPINIÃO]
Um lugar agradabilíssimo, situado num Shopping show de bola (Bourbon Country), cercado de coisas boas (Dado Bier (só restaurante agora, não é mais danceteria), um Café muito bom ao lado, os cinemas ao fundo, o teatro do Country que é uma coisa de louco, restaurantes como Joe e Leo's, Marcos (frutos do mar), entre outras sugestões). Climatizado, atendimento muito bom por parte dos funcionários (seja na parte de CD's, DVD's e/ou livros), um auditório para shows de pequeno porte, ambiente próprio para autógrafos de escritores que estão lançando livros, um Café dentro da livraria onde você pode ler seu livro, conversar, folhear uma revista, etc. E claro, como citarei abaixo, a diversidade de DVD's e livros que a Cultura possui. Imperdível para quem gosta de um lugar aconchegante, bem projetado e repleto de - perdão com o trocadilho - "cultura".
[PONTO POSITIVO]
A enorme diversidade de DVD's e livros. Ninguém bate a Cultura hoje em dia. A Saraiva (entre outras) por exemplo, vão ter que comer muita poeira pra alcançar o patamar e o acervo que a Cultura já possui.
[PONTO NEGATIVO]
Tô passando por um agora, por exemplo. Reservei um DVD dia 04/12/2008, e até hoje eles estão esperando o fornecedor deles mandar o tal DVD. Claro que nesse meio tempo todo, eles estão me dando retorno de como anda o pedido da mercadoria e tal, mas uma livraria, do porte da Cultura, não ter um DVD em loja ou ficar emperrando o cliente por tão pouco, é lamentável. Mas até hoje digo que foi uma exceção, pois de dez coisas que eu queria, consegui no ato nove.
[NUMA ESCALA DE 0 À 10, DOU NOTA...]
... 10
[LIVRARIA CULTURA]
Endereço: Av Túlio Rose, 80
Bairro: Passo da Areia - Porto Alegre/RS
Fone: (51) 3362-4227
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
► Vale conferir - 10 (Coringa)
Você é fã do Coringa que nem eu? Acha-o " "O" Vilão dos Vilões "? Curte os gibis do Batman? É fissurado nas histórias em quadrinhos A Piada Mortal, Asilo Arkham e O Cavaleiro das Trevas? Achou a interpretação (depois que viu a de Heath Ledger) de Jack Nicholson meia-boca? Salivou e ficou pasmo com o que o próprio Ledger fez com o Coringa? Então este é o seu post
Porque? Pois bem, abaixo listo (citando a revista SET como fonte) 10 gibis + histórias do Coringa que são obrigatórias para você que é fã do Palhaço do Crime.
E não é só isso - já diria o 011 14 06 (he he he) - você ainda leva de brinde um resumão de oito versões do Coringa! Seja nos gibis, na TV e no cinema. Imperdível, né?
E sem mais delongas, vamos ao que interessa...
***
[AS HISTÓRIAS ESSENCIAIS DO PALHAÇO DO CRIME]
[A PIADA MORTAL] (1998) De: Alan Moore e Brian Bolland
Apesar de a origem do Coringa ser desconhecida e não-aprovada pela DC, essa graphic novel é a história mais próxima de desvendar o passado do personagem. Alan Moore dá uma dimensão trágica aos fatos que levaram à criação do Coringa (morte da esposa grávida, falta de dinheiro). Aqui, o palhaço deseja provar que a insanidade é produto do meio, aleijando a filha adotiva do comissário Gordon e capturando o próprio.
[ASILO ARKHAM] (1989) De: Grant Morrison e Dave McKean
O britânico Grant Morrison transformou a eterna luta do Batman contra o Coringa num jogo psicológico com toques obsessivos e até homossexuais. A trama alterna um pouco a história do Asilo Arkham, hospício que abriga os vilões insanos do Morcegão, e a chegada do herói ao local tomado pelos pacientes - eles ameaçam matar os funcionários caso o Cavaleiro das Trevas não apareça para servir de saco de pancada. Passou anos como a edição de luxo mais vendida da DC (500 mil cópias), parte por causa da magnífica arte de Dave McKean.
[BATMAN Nº1] (1940) De: Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson
O visual mais tétrico e ameaçador do Coringa surgiu ainda nos primeiros anos do Batman. Neste, nada de armadilhas pitorescas. O vilão era assassino em série (mata cerca de quarenta pessoas em três revistas) com a face do ator Conrad Veidt. Heath Ledger disse que essa fase inicial foi sua grande inspiração.
[THE JOKER'S FIVE WAY REVENGE] (1973) De: Dennis O'Neil e Neal Adams
Após duas décadas de palhaçadas infantis (nos anos 60, o Coringa nunca matava inocentes) e planos de dar inveja a Scooby-Doo, o vilão volta às raízes letais. Esse arco que marca a era do Batman mais dark, detetivesco e sério coloca o Palhaço do Crime assassinando seus antigos comparsas em busca de vingança contra quem o dedurou para a polícia. Insanidade, investigação e morte em plenos anos 70, quando o mundo dos gibis era somente cores e alegria.
[BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS] (1986) De: Frank Miller
No futuro, o Coringa encontra-se em estado catatônico, mas acorda ao saber da volta do Batman. Posando de regenerado e levando seu psiquiatra na conversa, o vilão arranja uma entrevista na TV e mata todos os presentes. O duelo final ocorre num parque de diversões, quando o herói imagina quantas vidas poderia ter salvado caso tivesse destruído o psicopata anos antes e parte para colocar um ponto final na história de crimes.
[MORTE EM FAMÍLIA] (1988-1989) De: Jim Starlin e Jim Amparo
O enredo em si não tem grandes méritos, mas é representativo para quem quer conhecer a história do Coringa: aqui o vilão mata o segundo Robin, Jason Todd, com um pé-de-cabra. A trama usa referência sobre terrorismo, com o vilão de posse de uma bomba nuclear.
[BATMAN: O HOMEM QUE RI] (2005) De: Ed Brubaker e Doug Mahnke
"Remake" do primeiro encontro do Batman com o Coringa, com o estilo noir do roteirista Ed Brubaker atualizando o duelo, colocando-o na continuidade estabelecida em Batman: Ano Um.
[BATMAN: LOUCO AMOR] (1994) De: Paul Dini e Bruce Timm
Baseado no desenho animado produzido pela dupla nos Anos 90, o álbum mostra que o Coringa não precisa ser proibido para menores. Sua loucura é triplicada e, com ela, vai embora a sanidade da médica Harleen Quinzel, que se apaixona pelo vilão, tornando-se a vilã Arlequina - que depois foi incorporada aos gibis do Batman.
[LIGA DA JUSTIÇA: O PREGO] (1998) De: Alan Davis
História de um universo paralelo, onde o Coringa toma posse de armamentos kriptonianos e mata Robin e a Batgirl na frente do herói, que surta e assassina o vilão com as próprias mãos diante das câmeras de TV.
[THE LAUGHING FISH] (1977-1978) De: Steve Englehart e Marshall Rogers
Publicada em dois capítulos em Detective Comics, a trama mostra um Coringa mais ardiloso, atirando uma substância no mar que dá aos peixes seu "sorriso". Aproveitando a jogada ele adquire os direitos sobre os bichos e exige que todos os pescadores paguem cotas. Quando os políticos rejeitam o plano, o Palhaço começa a matar um a um.
***
[DO TRAÇO DE BOB KANE À INTERPRETAÇÃO ICÔNICA DE HEATH LEDGER, OS PASSOS PARA O CORINGA TORNAR-SE UM DOS VILÕES MAIS QUERIDOS DA CULTURA POP]
[O ORIGINAL]
Área de atuação: história em quadrinhos
1ª aparição: Batman Nº1
Ano: 1940
A origem do maior vilão dos quadrinhos (e não apenas do Batman) é cercada de controvérsia. Apesar de todos os envolvidos concordarem que a face vem do filme The Man Who Laughs, mais precisamente do ator Conrad Veidt, Bob Kane - criador do Cavaleiro das Trevas - alega que o visual é idéia dele e Bill Finger e que Jerry Robinson tinha apenas mostrado a carta de baralho como referência! Robinson, por sua vez, declara que fez os rascunhos do personagem e que eles teriam lembrado Finger da cara congelada de Veidt no longa-metragem. Polêmicas à parte, o Coringa estreou nos quadrinhos no primeiro número de Batman, título que dividiria com o existente Detective Comics as aventuras do Homem-Morcego. A aparência inconográfica não mudou ao longo dos anos: lábios vermelhos, pele esbranquiçada, cabelos verdes e sorriso assustador. O método de atuação ainda era meio direto, sem tramóias. O Coringa original era um genocida frio e armado com duas pistolas.
[VISUAL DEFINITIVO]
Área de atuação: histórias em quadrinhos
1ª aparição: Batman 251
Ano: 1973
O maníaco homicida retorna às origens no começo dos Anos 70, quando o desenhista Neal Adams começou sua jornada no Batman mais dark dos gibis até a chegada de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. O Coringa assassino em séries, entretanto, não foi a mudança mais reconhecível nessa fase. Foi Adams que alongou seu queixo de forma monstruosa, aumentou a estatura do personagem e introduziu uma espécie de uniforme roxo. O visual solidificou a imagem do vilão para sempre.
[O EXAGERADO]
Área de atuação: TV
1ª aparição: Batman - Episódio 5
Ano: 1966
Com o sucesso da série de TV galhofagem do Batman, não demorou muito para o Palhaço do Crime ganhar sua versão kitsch. Ao lado de Adam West (Batman) e Burt Ward (Robin), o descendente de hispânicos Cesar Romero topou estrelar o episódio "The Joker Is Wild" com uma condição: seu famoso bigode não poderia ser raspado. O resultado é que a maquiagem branca do bandido foi aplicada de forma tosca por cima dos pêlos e o sorriso era delineado apenas pelo batom. Apesar do esforço do simpático Romero, o vilão parecia um arremedo do original. Sua preocupação era apenas em criar armadilhas idiotas e seu gás do riso nem ao menos era mortal. A versão do latino durou dois anos e 18 capítulos - além de um longa.
[O ASTRO]
Área de atuação: cinema
1ª aparição: Batman, de Tim Burton
Ano: 1989
Quando Tim Burton foi o escolhido para dar vida ao Caveleiro das Trevas, ainda assombrado pela série de TV cômica, ele não estava vivificando um herói, mas dando um novo pontapé nas adaptações de quadrinhos para o cinema. Escalado para o papel quando o filme estava em fase de gestação, o super-hiper-mega astro Jack Nicholson fez o contraponto ao parceiro de Burton em Beetlejuice, Michael Keaton, no papel de Bruce Wayne/Batman. O Coringa de Nicholson - que embolsou uma fatia dos lucros do longa e recebeu um dos maiores salários pagos para um ator em todos os tempos - tem pitada da origem trágica mostrada em A Piada Mortal, graphic novel escrita por Alan Moore, mas com certa ingenuidade dos Anos 60, exemplo do uso de armas fantásticas e brinquedos mortais. O roteiro transformou o Coringa no responsável direto pela criação do Batman, quando, ainda como o ladrão Jack Napier, matou os pais de Bruce. O problema aqui não era apenas o exagerado tom cômico, mas tentar esquecer que era Jack Nicholson com um sorriso deformado e a pela branca por causa de um acidente químico.
[O ANIMADO]
Área de atuação: TV
1ª aparição: Batman - A Série Animada
Ano: 1992
Se os fãs ficaram decepcionados com o Batman sem ação e travado de Burton, a encarnação do personagem na animação supervisionada e escrita por Paul Dini e Bruce Timm lavou a alma. O mesmo pode-se dizer do Coringa. Os ecos da versão de Nicholson foram embora e o vilão voltou a pagar tributo à criação de Kane, Finger e Robinson. Como bons viciados em gibis, as referências não param apenas no visual mais atarracado e quadrado do bandido. Há a flor que jorra ácido, invenção setentista; uma namorada malucona, toque moderninho; e as bugigangas dos Anos 60. Além disso, é dublado por Mark Hamill (o Luke Skywalker de Star Wars), numa "interpretação" que muitos consideram melhor que todas as feitas no cinema e TV. Esse Coringa também foi pouco mudado para os desenhos do Batman (inclusive, Batman Beyond, no qual reaparece violento e de cabelo raspado no longa O Retorno do Coringa) e da Liga da Justiça.
[O DESPERCEBIDO]
Área de atuação: TV
1ª aparição: Birfs of Prey
Ano: 2002
Numa tentativa de situar a série estrelada pela filha do Batman, Helena Kyle (fruto da união com a Mulher-Gato), Barbara Gordon (a Batgirl do passado) e Dinah Lance (Canário Negro, nos quadrinhos), os roteiristas mostraram de forma rápida como o Coringa (o desconhecido Roger Stoneburner) aleijou Barbara numa luta com o Batman! Na tentativa de chamar os nerds, Stoneburner foi dublado por Hamill.
[O INOVADOR]
Área de atuação: TV
1ª aparição: The Batman
Ano: 2004
A animação sobre os primeiros anos do Batman trás o Coringa mais diferente de todas as encarnações. Cabelos verdes rastafári, língua azul, olhos vermelhos e sorriso quebrado somam-se a um uniforme baseado em camisas-de-força de um hospício. Suas ações tornam-se cada vez mais pessoais contra o herói e revelam uma ligação maior entre os dois antagonistas.
[O DESTRUIDOR! O ICÔNICO! O CORINGA DEFINITIVO]
Área de atuação: cinema
1ª aparição: Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)
Ano: 2008
O diretor Christopher Nolan, ao contrário de Burton, não está preocupado com a origem do Coringa no seu Batman - O Cavaleiro das Trevas! Para ele, o personagem é um agente do caos, que aparece sem avisar e causando destruição. Para o falecido Heath Ledger (que viria a ganhar o Globo de Ouro e quem sabe o Oscar(?) pelo papel), o personagem é um psicótico (anda com facas nos bolsos) inspirado nas primeiras histórias de Bob Kane e Bill Finger. Aliás, o próprio Ledger diz ter se inspirado também no cantor Sid Vicious e no papel do ator Malcolm McDowell em Laranja Mecânica. O estilo realista de Nolan também é influência sobre a nova encarnação! Seu sorriso é formado por duas cicatrizes nos cantos da boca, cobertas com batom borrado. O uso das cores verde e roxo também permanecem, ganhando tons mais escuros e sujos, combinando com a maquiagem mal aplicada e os cabelos verde-musgo. Enfim, o Coringa definitivo. É fato.
[Fonte: revista SET]
Porque? Pois bem, abaixo listo (citando a revista SET como fonte) 10 gibis + histórias do Coringa que são obrigatórias para você que é fã do Palhaço do Crime.
E não é só isso - já diria o 011 14 06 (he he he) - você ainda leva de brinde um resumão de oito versões do Coringa! Seja nos gibis, na TV e no cinema. Imperdível, né?
E sem mais delongas, vamos ao que interessa...
***
[AS HISTÓRIAS ESSENCIAIS DO PALHAÇO DO CRIME]
[A PIADA MORTAL] (1998) De: Alan Moore e Brian Bolland
Apesar de a origem do Coringa ser desconhecida e não-aprovada pela DC, essa graphic novel é a história mais próxima de desvendar o passado do personagem. Alan Moore dá uma dimensão trágica aos fatos que levaram à criação do Coringa (morte da esposa grávida, falta de dinheiro). Aqui, o palhaço deseja provar que a insanidade é produto do meio, aleijando a filha adotiva do comissário Gordon e capturando o próprio.[ASILO ARKHAM] (1989) De: Grant Morrison e Dave McKean
O britânico Grant Morrison transformou a eterna luta do Batman contra o Coringa num jogo psicológico com toques obsessivos e até homossexuais. A trama alterna um pouco a história do Asilo Arkham, hospício que abriga os vilões insanos do Morcegão, e a chegada do herói ao local tomado pelos pacientes - eles ameaçam matar os funcionários caso o Cavaleiro das Trevas não apareça para servir de saco de pancada. Passou anos como a edição de luxo mais vendida da DC (500 mil cópias), parte por causa da magnífica arte de Dave McKean.[BATMAN Nº1] (1940) De: Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson
O visual mais tétrico e ameaçador do Coringa surgiu ainda nos primeiros anos do Batman. Neste, nada de armadilhas pitorescas. O vilão era assassino em série (mata cerca de quarenta pessoas em três revistas) com a face do ator Conrad Veidt. Heath Ledger disse que essa fase inicial foi sua grande inspiração.[THE JOKER'S FIVE WAY REVENGE] (1973) De: Dennis O'Neil e Neal Adams
Após duas décadas de palhaçadas infantis (nos anos 60, o Coringa nunca matava inocentes) e planos de dar inveja a Scooby-Doo, o vilão volta às raízes letais. Esse arco que marca a era do Batman mais dark, detetivesco e sério coloca o Palhaço do Crime assassinando seus antigos comparsas em busca de vingança contra quem o dedurou para a polícia. Insanidade, investigação e morte em plenos anos 70, quando o mundo dos gibis era somente cores e alegria.[BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS] (1986) De: Frank Miller
No futuro, o Coringa encontra-se em estado catatônico, mas acorda ao saber da volta do Batman. Posando de regenerado e levando seu psiquiatra na conversa, o vilão arranja uma entrevista na TV e mata todos os presentes. O duelo final ocorre num parque de diversões, quando o herói imagina quantas vidas poderia ter salvado caso tivesse destruído o psicopata anos antes e parte para colocar um ponto final na história de crimes.[MORTE EM FAMÍLIA] (1988-1989) De: Jim Starlin e Jim Amparo
O enredo em si não tem grandes méritos, mas é representativo para quem quer conhecer a história do Coringa: aqui o vilão mata o segundo Robin, Jason Todd, com um pé-de-cabra. A trama usa referência sobre terrorismo, com o vilão de posse de uma bomba nuclear.[BATMAN: O HOMEM QUE RI] (2005) De: Ed Brubaker e Doug Mahnke
"Remake" do primeiro encontro do Batman com o Coringa, com o estilo noir do roteirista Ed Brubaker atualizando o duelo, colocando-o na continuidade estabelecida em Batman: Ano Um.[BATMAN: LOUCO AMOR] (1994) De: Paul Dini e Bruce Timm
Baseado no desenho animado produzido pela dupla nos Anos 90, o álbum mostra que o Coringa não precisa ser proibido para menores. Sua loucura é triplicada e, com ela, vai embora a sanidade da médica Harleen Quinzel, que se apaixona pelo vilão, tornando-se a vilã Arlequina - que depois foi incorporada aos gibis do Batman.[LIGA DA JUSTIÇA: O PREGO] (1998) De: Alan Davis
História de um universo paralelo, onde o Coringa toma posse de armamentos kriptonianos e mata Robin e a Batgirl na frente do herói, que surta e assassina o vilão com as próprias mãos diante das câmeras de TV.[THE LAUGHING FISH] (1977-1978) De: Steve Englehart e Marshall Rogers
Publicada em dois capítulos em Detective Comics, a trama mostra um Coringa mais ardiloso, atirando uma substância no mar que dá aos peixes seu "sorriso". Aproveitando a jogada ele adquire os direitos sobre os bichos e exige que todos os pescadores paguem cotas. Quando os políticos rejeitam o plano, o Palhaço começa a matar um a um.***
[DO TRAÇO DE BOB KANE À INTERPRETAÇÃO ICÔNICA DE HEATH LEDGER, OS PASSOS PARA O CORINGA TORNAR-SE UM DOS VILÕES MAIS QUERIDOS DA CULTURA POP]
[O ORIGINAL]
Área de atuação: história em quadrinhos
1ª aparição: Batman Nº1
Ano: 1940
A origem do maior vilão dos quadrinhos (e não apenas do Batman) é cercada de controvérsia. Apesar de todos os envolvidos concordarem que a face vem do filme The Man Who Laughs, mais precisamente do ator Conrad Veidt, Bob Kane - criador do Cavaleiro das Trevas - alega que o visual é idéia dele e Bill Finger e que Jerry Robinson tinha apenas mostrado a carta de baralho como referência! Robinson, por sua vez, declara que fez os rascunhos do personagem e que eles teriam lembrado Finger da cara congelada de Veidt no longa-metragem. Polêmicas à parte, o Coringa estreou nos quadrinhos no primeiro número de Batman, título que dividiria com o existente Detective Comics as aventuras do Homem-Morcego. A aparência inconográfica não mudou ao longo dos anos: lábios vermelhos, pele esbranquiçada, cabelos verdes e sorriso assustador. O método de atuação ainda era meio direto, sem tramóias. O Coringa original era um genocida frio e armado com duas pistolas.[VISUAL DEFINITIVO]
Área de atuação: histórias em quadrinhos
1ª aparição: Batman 251
Ano: 1973
O maníaco homicida retorna às origens no começo dos Anos 70, quando o desenhista Neal Adams começou sua jornada no Batman mais dark dos gibis até a chegada de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. O Coringa assassino em séries, entretanto, não foi a mudança mais reconhecível nessa fase. Foi Adams que alongou seu queixo de forma monstruosa, aumentou a estatura do personagem e introduziu uma espécie de uniforme roxo. O visual solidificou a imagem do vilão para sempre.[O EXAGERADO]
Área de atuação: TV
1ª aparição: Batman - Episódio 5
Ano: 1966
Com o sucesso da série de TV galhofagem do Batman, não demorou muito para o Palhaço do Crime ganhar sua versão kitsch. Ao lado de Adam West (Batman) e Burt Ward (Robin), o descendente de hispânicos Cesar Romero topou estrelar o episódio "The Joker Is Wild" com uma condição: seu famoso bigode não poderia ser raspado. O resultado é que a maquiagem branca do bandido foi aplicada de forma tosca por cima dos pêlos e o sorriso era delineado apenas pelo batom. Apesar do esforço do simpático Romero, o vilão parecia um arremedo do original. Sua preocupação era apenas em criar armadilhas idiotas e seu gás do riso nem ao menos era mortal. A versão do latino durou dois anos e 18 capítulos - além de um longa.[O ASTRO]
Área de atuação: cinema
1ª aparição: Batman, de Tim Burton
Ano: 1989
Quando Tim Burton foi o escolhido para dar vida ao Caveleiro das Trevas, ainda assombrado pela série de TV cômica, ele não estava vivificando um herói, mas dando um novo pontapé nas adaptações de quadrinhos para o cinema. Escalado para o papel quando o filme estava em fase de gestação, o super-hiper-mega astro Jack Nicholson fez o contraponto ao parceiro de Burton em Beetlejuice, Michael Keaton, no papel de Bruce Wayne/Batman. O Coringa de Nicholson - que embolsou uma fatia dos lucros do longa e recebeu um dos maiores salários pagos para um ator em todos os tempos - tem pitada da origem trágica mostrada em A Piada Mortal, graphic novel escrita por Alan Moore, mas com certa ingenuidade dos Anos 60, exemplo do uso de armas fantásticas e brinquedos mortais. O roteiro transformou o Coringa no responsável direto pela criação do Batman, quando, ainda como o ladrão Jack Napier, matou os pais de Bruce. O problema aqui não era apenas o exagerado tom cômico, mas tentar esquecer que era Jack Nicholson com um sorriso deformado e a pela branca por causa de um acidente químico.[O ANIMADO]
Área de atuação: TV
1ª aparição: Batman - A Série Animada
Ano: 1992
Se os fãs ficaram decepcionados com o Batman sem ação e travado de Burton, a encarnação do personagem na animação supervisionada e escrita por Paul Dini e Bruce Timm lavou a alma. O mesmo pode-se dizer do Coringa. Os ecos da versão de Nicholson foram embora e o vilão voltou a pagar tributo à criação de Kane, Finger e Robinson. Como bons viciados em gibis, as referências não param apenas no visual mais atarracado e quadrado do bandido. Há a flor que jorra ácido, invenção setentista; uma namorada malucona, toque moderninho; e as bugigangas dos Anos 60. Além disso, é dublado por Mark Hamill (o Luke Skywalker de Star Wars), numa "interpretação" que muitos consideram melhor que todas as feitas no cinema e TV. Esse Coringa também foi pouco mudado para os desenhos do Batman (inclusive, Batman Beyond, no qual reaparece violento e de cabelo raspado no longa O Retorno do Coringa) e da Liga da Justiça.[O DESPERCEBIDO]
Área de atuação: TV
1ª aparição: Birfs of Prey
Ano: 2002
Numa tentativa de situar a série estrelada pela filha do Batman, Helena Kyle (fruto da união com a Mulher-Gato), Barbara Gordon (a Batgirl do passado) e Dinah Lance (Canário Negro, nos quadrinhos), os roteiristas mostraram de forma rápida como o Coringa (o desconhecido Roger Stoneburner) aleijou Barbara numa luta com o Batman! Na tentativa de chamar os nerds, Stoneburner foi dublado por Hamill.[O INOVADOR]
Área de atuação: TV
1ª aparição: The Batman
Ano: 2004
A animação sobre os primeiros anos do Batman trás o Coringa mais diferente de todas as encarnações. Cabelos verdes rastafári, língua azul, olhos vermelhos e sorriso quebrado somam-se a um uniforme baseado em camisas-de-força de um hospício. Suas ações tornam-se cada vez mais pessoais contra o herói e revelam uma ligação maior entre os dois antagonistas.[O DESTRUIDOR! O ICÔNICO! O CORINGA DEFINITIVO]
Área de atuação: cinema
1ª aparição: Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)
Ano: 2008
O diretor Christopher Nolan, ao contrário de Burton, não está preocupado com a origem do Coringa no seu Batman - O Cavaleiro das Trevas! Para ele, o personagem é um agente do caos, que aparece sem avisar e causando destruição. Para o falecido Heath Ledger (que viria a ganhar o Globo de Ouro e quem sabe o Oscar(?) pelo papel), o personagem é um psicótico (anda com facas nos bolsos) inspirado nas primeiras histórias de Bob Kane e Bill Finger. Aliás, o próprio Ledger diz ter se inspirado também no cantor Sid Vicious e no papel do ator Malcolm McDowell em Laranja Mecânica. O estilo realista de Nolan também é influência sobre a nova encarnação! Seu sorriso é formado por duas cicatrizes nos cantos da boca, cobertas com batom borrado. O uso das cores verde e roxo também permanecem, ganhando tons mais escuros e sujos, combinando com a maquiagem mal aplicada e os cabelos verde-musgo. Enfim, o Coringa definitivo. É fato.[Fonte: revista SET]
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