terça-feira, 8 de novembro de 2011

Joe Frazier (1944/2011), a morte de um gigante

Sou um fã de MMA confesso, mas em se tratando de Boxe, o que posso dizer, e que me vem à cabeça, são somente as lutas de Mike Tyson vs Evander Holyfield no final dos Anos 80 - início dos 90. E vá lá, algumas lutas do Acelino "Popó" Freitas. Mais do que isso, eu mentiria se dissesse que acompanhava.

Hoje, o Boxe tem a alcunha de já ter sido "um esporte da nobre arte". Não que não continue sendo, mas a disputa velada entre MMA vs Boxe, convenhamos que o primeiro já ganha disparado. Ainda existem, claro, os amantes do esporte, mas que ela vem caindo consideravelmente, isso também é verdade.

Mas este post é pra falar de uma figura do Boxe que faleceu hoje, 08/11, e que já está no Hall of Fame da história das lutas: Joe Frazier.

E lendo o blog do jornalista Luiz Zini Pires, o mesmo escreveu um texto reverenciando o pugilista e, que pela qualidade do que foi escrito, reproduzo aqui no meu blog. Parabéns ao Zini pelas palavras, e vai uma reverência também, a um atleta que nunca vi lutar, mas que pela história que carrega, merece meu respeito. Sou fã de MMA? Sou! Mas vida longa a nobre arte do Boxe e a Joe Frazier.

***
"O câncer devastou Joe Frazier. Ele tinha 67 anos e foi um dos grandes da era de ouro dos pesos pesados do boxe. Dominou parte dos anos 1970. Fez três lutas memoráveis com o maior deles, Muhammad Ali. Foi o primeiro a derrotá-lo num encontro histórico no célebre Madison Square Garden, em Nova York.

- Foi o dia que eu estive mais perto da morte – contou Ali depois da luta.

Frazier perdeu as outras duas contendas. Eles lutaram 41 assaltos nos três encontros. Está tudo gravado. Basta ir ao YouTube ou visitar a locadora mais próxima.

Seu apelido era Smokin Joe. Era uma pessoa calma e tranquila longe das luvas. Atencioso com os fãs. Parava e conversava. De tanta pancada na cabeca, sua voz era arrastada. Não era fácil acompanhar todas as suas frases.

[Frazier nocauteando Ali na 1ª luta nos Anos 70, e foto atual dos dois]

Na luta do século, como foi tratada pela imprensa da época, Frazier fez Ali encontrar a lona no 15º assalto. Frazier era pequeno e agitado.

Era feroz.

Acossava o adversário, batia se parar. Num primeiro descuido entrava com seu terrível gancho de esquerda. Pam! Tombo certo.

Seu gancho de esquerda merecia um quadro. Seria pregado em todas as academias de boxe do Planeta.

Em 1975, nas Filipinas, na outra luta com Ali, uma das melhores de todos os tempos, Frazier segurou até o 15º round. Quase cego pelos socos de Ali, Frazier queria continuar a luta. Foi seguro pelo seu treinador, que não permitiu que ele permanecesse no ringue.

As lutas entre Ali e Frazier não começaram nem terminavam entre as cordas. Ali chama Frazier de Uncle Tom (negro servil com os brancos) e de gorila. Mas o respeitava muito como boxeador. Muito tempos depois, Frazier o perdoou.

Em 1973, Frazier encontrou outro grande adversário. George Foreman o derrotou, na Jamaica. O derrubou logo no primeiro assalto, depois três vezes mais no segundo. Foreman encontra Ali no ano seguinte na África. Mas aí é outra história.

Fica nesta terça-feira, 8 de novembro de 2011, uma reverência ao grande Joe Frazier, personagem da era de ouro do boxe, uma luta civilizada, espelho deum tipo de socidade. A do Terceiro Milênio tem outro gosto, outra luta. Cada um com o seu tempo."



[Fonte: Reuters - Luiz Zini Pires]
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